Cada angolano deve, em média, 1.310 USD ao estrangeiro, mas há uma luz no fim do túnel: a dívida pública colaterizada por petróleo registou uma queda de 11% no primeiro semestre de 2025. Segundo dados oficiais, o valor caiu de 10.150 milhões USD em dezembro de 2024 para 8.940 milhões USD em junho deste ano, uma redução de 1.210 milhões USD em apenas seis meses.
A China continua a ser o maior credor de Angola, detendo 13.417 milhões USD da dívida total de 47.402 milhões USD que o país deve ao estrangeiro. No entanto, a estratégia do governo angolano tem sido clara: reduzir a exposição financeira ao gigante asiático. Dorivaldo Teixeira, diretor da Unidade de Gestão da Dívida do Ministério das Finanças, explicou que esta redução faz parte de um plano concertado entre Angola e a China, que inclui a abertura a financiamentos mais recentes, mas de menor valor.
Dívida colaterizada por petróleo em queda livre desde 2017
Em 2017, a dívida colaterizada por petróleo atingiu o pico de 23.205 milhões USD, com Angola a dever não só à China, mas também a Israel (2.379 milhões USD) e ao Brasil (820 milhões USD). Desde então, o país tem vindo a reduzir este encargo financeiro, e os resultados são visíveis: 14.265 milhões USD a menos em dívida colaterizada desde 2017.
No final do primeiro semestre de 2025, Angola só mantinha dívida colaterizada com a China, no valor de 8.940 milhões USD, e o objetivo é chegar ao final do ano com apenas 7.000 milhões USD. Esta estratégia visa não só aliviar a pressão financeira, mas também melhorar a estabilidade fiscal do país.
China alerta para “armadilha da assistência”
Em abril de 2025, o diretor adjunto do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Yu Yong, alertou para o que chamou de “armadilha da assistência”, criticando o facto de Angola recorrer a fundos ocidentais que, segundo ele, não são aplicados no setor produtivo. Questionado sobre quais fundos se referia, Yu Yong evitou nomear instituições específicas, limitando-se a afirmar que “são fundos abertos e públicos”.
Estratégia de redução da dívida: um caminho longo, mas necessário
A redução da dívida colaterizada por petróleo é um sinal positivo para a economia angolana, mas o caminho ainda é longo. O governo continua a apostar em negociações bilaterais e em financiamentos mais sustentáveis, com o objetivo de diminuir a dependência de empréstimos garantidos por recursos naturais.
Para Dorivaldo Teixeira, a redução da exposição financeira é uma prioridade: “A perspectiva é, em conjunto, tanto do lado dos chineses como por lado de Angola, criar uma redução da exposição que o país tem para com a China e que a China tem em relação a Angola.”
O que isto significa para os angolanos?
Embora a dívida per capita de 1.310 USD possa parecer assustadora, a queda consistente da dívida colaterizada é um indicador de que Angola está no caminho certo. A estratégia de diversificar as fontes de financiamento e de reduzir a dependência de empréstimos garantidos por petróleo pode, a longo prazo, melhorar a saúde financeira do país e aumentar a confiança dos investidores internacionais.
