O País enfrenta um duplo desafio para alavancar a sua economia: a inexistência de instituições estruturadas e a escassez de empresários capacitados. A crítica foi feita por Fernando Pacheco, ex-conselheiro do Presidente João Lourenço e especialista em agricultura, à margem do Angola Economic Forum 2025 (AEF-2025), que decorre em Luanda até sexta-feira.

Em declarações aos jornalistas, Pacheco sublinhou que a falta de instituições preparadas para orientar a economia — em particular a agricultura — e a carência de empresários são os principais obstáculos para um crescimento sustentável. “Não temos instituições suficientemente estruturadas para orientar o percurso da nossa economia. Além disso, o número de empresários é reduzido, e mesmo os que existem não conseguem, sozinhos, impulsionar o setor”, afirmou.

O antigo conselheiro, que integrou o painel “História económica de Angola: uma avaliação sobre as opções de políticas económicas no pós-independência”, destacou ainda que o ambiente de negócios em Angola desencoraja tanto investidores nacionais como estrangeiros. “Há um esforço para atrair investimento externo, mas os resultados são limitados porque o ambiente não é atrativo”, explicou.

Falta de investimento em incubação de empresas agrava o problema

Fernando Pacheco criticou a falta de aposta na formação de empresários e na incubação de empresas, especialmente durante o período de maiores receitas petrolíferas. “Se tivéssemos investido seriamente na formação de gestores e empresários, hoje teríamos mais capacidade técnica e de visão. Infelizmente, muitos projetos foram irrealistas e mal planeados, como as grandes fazendas industriais pós-guerra, que consumiram cerca de dois mil milhões de dólares sem resultados positivos”, recordou.

O especialista reconheceu que, a partir de 2014, Angola iniciou uma nova fase na agricultura, mais assertiva, mas ainda com desafios. “O Governo teve de privatizar vários projetos agrícolas, e agora estamos a tentar corrigir o rumo”, disse.

AEF-2025 debate o futuro económico de Angola

O Angola Economic Forum 2025, que reúne mais de 70 oradores — entre políticos, economistas, académicos e empresários — decorre sob o lema “Celebramos a História, Impulsionamos o Futuro da Economia”, em alusão aos 50 anos de independência do país. O evento visa discutir soluções para os desafios económicos e atrair investimentos que possam diversificar a economia angolana, reduzindo a dependência do petróleo.

Pacheco deixou um alerta: “Se Angola não apostar nas instituições, as coisas nunca vão melhorar.”

Fonte: Jornal Económico

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