Os deputados elegeram esta segunda-feira, por unanimidade, Adão de Almeida como o novo presidente da Assembleia Nacional, substituindo Carolina Cerqueira, que deixou o cargo após três anos de mandato. A decisão, impulsionada pelo Bureau Político do MPLA, gerou críticas da oposição, que alerta para possíveis no poder legislativo.
UNITA questiona processo e apela à ética parlamentar
O deputado Nuno Dala, da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), criticou a celeridade do processo, afirmando que a Assembleia Nacional foi “arrastada numa burocracia à velocidade da luz, que atropelou procedimentos éticos e protocolos habituais”. Para Dala, o Parlamento deve ser um espaço de defesa da lei e da legalidade, e qualquer desvio compromete a sua reputação e a relação com os demais poderes, especialmente o Executivo.
“Não está em causa o MPLA decidir sobre os seus militantes. O problema é a forma como este Parlamento permitiu que tudo acontecesse”, declarou Dala, sublinhando a necessidade de transparência e respeito pelos procedimentos democráticos.
Adão de Almeida assume com promessas de reformas e autarquias
Com 46 anos, Adão de Almeida assume o cargo após ter sido exonerado como ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República. Em seu discurso de posse, destacou que a Assembleia Nacional entra numa nova fase, marcada pelo compromisso com reformas estruturais, a busca de consensos políticos e a implementação das autarquias, um tema considerado prioritário.
“As . Temos de concluir os diplomas essenciais e criar as condições para que este processo avance”, afirmou o novo presidente, que recebeu 198 votos. Almeida defendeu ainda uma Assembleia Nacional “mais organizada, eficiente e com maior capacidade de fiscalização”, apelando a um ambiente político mais cooperativo entre os partidos.
“Os desafios do país exigem consensos. O Parlamento deve ser um espaço de diálogo e não de bloqueios”, reforçou.
Carolina Cerqueira deixa legado de “dever cumprido”
A presidente cessante, Carolina Cerqueira a —, afirmou que encerra a sua gestão “com sentido de dever cumprido”, destacando o seu contributo para fortalecer a democracia e a dignidade da Assembleia. Em sua despedida, apelou à continuidade do trabalho em prol da estabilidade e do diálogo no país.
A substituição de Cerqueira é interpretada por analistas como um , mas também como um . A oposição, liderada pela UNITA, mantém-se vigilante e promete fiscalizar de perto as ações do novo presidente, garantindo que a Assembleia Nacional não se torne um instrumento de interferência partidária.
Fonte: DW
