A madrugada de domingo foi interrompida por mais um drama rodoviário que enluta famílias e reacende o debate sobre segurança nas vias nacionais. Dez pessoas perderam a vida e outras 28 ficaram feridas após o capotamento de um autocarro de passageiros nas imediações de Cabo Ledo, município da província do Icolo e Bengo, num acidente cujas causas preliminares apontam para excesso de velocidade combinado com piso escorregadio.
O sinistro ocorreu por volta das 03h00 de domingo (15), no troço da Estrada Nacional 100 Sul que liga o Sangano às Casas Brancas. Segundo o relatório preliminar da Polícia Nacional, o veículo — um autocarro Yaxing, de cor amarela e laranja, propriedade da Empresa Macon e com matrícula LDA-53-82-AD — seguia em direcção a Luanda quando o condutor, um cidadão angolano de 46 anos, perdeu o controlo da viatura num segmento com pavimento molhado. O despiste foi seguido de capotamento múltiplo, provocando danos graves na estrutura do pesado de passageiros.
Do total de 38 ocupantes, dez morreram no local. Dezoito feridos em estado grave e dez com lesões ligeiras foram socorridos de imediato por equipas do Instituto Nacional de Emergência Médica de Angola (INEMA) e agentes da Polícia de Trânsito, sendo encaminhados para o Hospital Municipal de Cabo Ledo. Parte dos mais críticos foi posteriormente transferida para unidades hospitalares de Luanda.
Perante a gravidade do ocorrido, o Presidente da República, João Lourenço, emitiu uma nota de pesar na qual se associa “ao sofrimento de todos os que se sentem directamente atingidos por esta dramática ocorrência”. O Chefe de Estado destacou ainda que o Executivo disponibilizou “apoio assistencial multidisciplinar” através do Ministério da Saúde e renovou um apelo à prudência dos condutores: “Que as estradas que rasgam o território em todas as direcções sejam símbolo de progresso e vida, jamais instrumentos de morte e destruição”.
Este acidente surge numa altura em que o país ainda se recompõe de outro sinistro grave ocorrido na semana passada no Cuanza Sul, reforçando a urgência de uma reflexão colectiva sobre comportamentos ao volante, manutenção de viaturas e condições das estradas secundárias. As autoridades rodoviárias reforçam que a combinação de factores — velocidade inadequada para as condições atmosféricas, fadiga ao volante e negligência na verificação técnica dos veículos — continua a ser a principal causa de tragédias evitáveis nas nossas estradas.
Uma investigação técnica prossegue no local para apurar responsabilidades, enquanto as famílias das vítimas recebem acompanhamento psicossocial por parte das estruturas provinciais da Acção Social, Família e Promoção da Mulher.
