O Banco de Fomento Angola (BFA) anunciou esta segunda-feira a disponibilização de um novo mecanismo de garantia de financiamento ao comércio exterior, desenvolvido em parceria com a Corporação Financeira Internacional (IFC), do Grupo Banco Mundial. A iniciativa visa apoiar empresas angolanas, com destaque para as pequenas e médias empresas (PME), no acesso a insumos essenciais, cumprimento de entregas e criação de empregos em cadeias de valor estratégicas, num contexto de dificuldades cambiais e restrições bancárias transfronteiriças.

Segundo comunicado oficial do BFA, o mecanismo foi disponibilizado no âmbito do Programa Global de Financiamento ao Comércio (GTFP) da IFC, com o objetivo de ampliar o acesso das empresas angolanas ao financiamento do comércio internacional e facilitar operações de importação e exportação.

A instituição financeira sublinha que a solução contribuirá para “reduzir os riscos associados às transações de comércio exterior e melhorar a fiabilidade e a rapidez dos pagamentos transfronteiriços”. O BFA destaca ainda o reforço ao funcionamento das cadeias de abastecimento, o apoio a um crescimento económico mais diversificado e o fortalecimento da integração de Angola nos mercados regionais e internacionais.

Angola tem enfrentado constrangimentos no acesso a divisas estrangeiras nos últimos anos. Além disso, os bancos locais possuem poucas relações institucionais de correspondência bancária internacional, o que dificulta pagamentos transfronteiriços e torna mais complexo para as empresas adquirirem insumos e satisfazerem encomendas de forma atempada.

No setor da agricultura alimentar, estas restrições assumem particular relevância. O país importa mais de metade dos alimentos consumidos internamente, o que exige acesso regular a insumos e mecanismos internacionais de pagamento fiáveis.

Défice continental e prioridades do Banco Mundial

Embora o BFA não tenha apresentado números específicos de Angola, o comunicado refere dados globais: o continente africano enfrenta um défice anual de financiamento do comércio exterior estimado entre 100 e 120 mil milhões de dólares (86 a 104 mil milhões de euros). Este desafio é particularmente relevante tendo em conta que as PME representam mais de 90% do tecido empresarial africano e são responsáveis por cerca de 80% dos postos de trabalho no continente.

O financiamento do setor privado, sobretudo na agricultura e alimentação, é uma das prioridades do Grupo Banco Mundial. No ano fiscal de 2025, encerrado em junho, a IFC disponibilizou garantias globais no valor de 12 mil milhões de dólares (quase 10,5 mil milhões de euros), dos quais mais de 4 mil milhões de dólares (cerca de 3,5 mil milhões de euros) foram destinados ao continente africano.

Com este novo instrumento, espera-se que empresas angolanas — incluindo PME de sectores estratégicos — possam aceder a condições mais favoráveis para financiar importações de insumos e honrar compromissos de exportação, contribuindo para a manutenção e criação de empregos em cadeias de valor prioritárias para a diversificação económica do país.

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