O gás natural consolidou-se em 2025 como o segundo maior contribuinte para a pauta de exportações angolana, ao gerar receitas brutas de 3.248,2 milhões de dólares norte-americanos — um crescimento de 21% face ao ano anterior — e superar, pela terceira vez seguida, as vendas externas do sector diamantífero. Segundo cálculos do Expansão com base em dados oficiais do Banco Nacional de Angola (BNA), o produto já representa 11% do total das exportações nacionais, num momento em que o país intensifica os esforços de diversificação da economia face à volatilidade do sector petrolífero.
O desempenho histórico foi impulsionado principalmente pelo aumento do volume exportado, que atingiu 52.143,0 mil barris de óleo equivalente (BOE), mais 23% do que em 2024. Este salto reflecte a entrada em operação de infraestruturas estratégicas, como a linha de transferência de gás residual do projecto Sanha, que permitiu aproveitar volumes anteriormente queimados ou subaproveitados. Apesar do aumento da quantidade, o preço médio de venda recuou para 62,3 dólares por BOE, menos 1,3 dólares que no exercício anterior, num contexto de normalização dos mercados energéticos globais após o pico de 2022.
É importante contextualizar: embora 2025 tenha registado o maior volume de exportação de gás de sempre, o valor máximo de receitas continua a pertencer a 2022 (6.471,5 milhões USD), ano marcado pelo choque energético decorrente da guerra na Ucrânia, que elevou os preços internacionais a patamares excepcionais. Contudo, a consistência actual — com três anos seguidos de superação face aos diamantes — demonstra que Angola está a transformar gradualmente o gás de subproduto do petróleo num vector autónomo de receitas.
Com o petróleo a responder por cerca de 80% das exportações, a valorização do gás oferece um colchão importante contra as flutuações dos preços do crude, contribuindo para a estabilidade das contas externas e, indirectamente, para a contenção da pressão inflacionária interna. Além disso, projectos como o Sanha criam emprego qualificado e transferência de know-how para a nossa equipa técnica nacional.
O cenário internacional continua a favorecer esta trajectória. Com cerca de 20% do gás comercializado globalmente a passar pelo Estreito de Ormuz — actualmente afectado por tensões geopolíticas envolvendo o Irão —, mercados europeus e asiáticos mantêm procura activa por fornecedores alternativos, posição que Angola está a capitalizar com prudência e planeamento de longo prazo.
Fonte: BNA, via análise do Expansão

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