O Presidente da República recebeu hoje, em Luanda, Sua Santidade o Papa Leão XIV, marcando a terceira visita de um Sumo Pontífice a Angola e reforçando as relações históricas entre o Estado angolano e a Santa Sé. No discurso de boas-vindas, o Chefe de Estado destacou o contributo da Igreja Católica na construção de políticas sociais que chegam directamente às famílias angolanas, especialmente nos sectores da saúde, educação, água, energia e habitação.

O Presidente sublinhou que esta parceria é essencial num momento em que o país enfrenta desafios económicos que afectam o poder de compra das famílias e o valor do Kwanza. “Gostaríamos de contar com um envolvimento mais construtivo da Igreja Católica como parceira social do Executivo”, afirmou, apelando a uma colaboração mais profunda no combate à pobreza e na promoção do desenvolvimento.

O discurso recordou o primeiro contacto oficial entre a Santa Sé e a região, ainda no século XVII, quando o Príncipe António Manuel Nsako Ne Vunda, conhecido como “Negrita”, viajou de Mbanza Congo até Roma. As relações diplomáticas formais foram consolidadas com o Acordo-Quadro de 13 de Setembro de 2019, abrindo caminho para um diálogo constante mesmo nos períodos mais difíceis da história nacional.

O Presidente lembrou ainda as visitas de Chefes de Estado angolanos ao Vaticano e o papel da Igreja na formulação de políticas sociais que hoje beneficiam milhões de angolanos em todas as províncias. “Esta é uma missão complexa e difícil, que requer tempo e recursos”, reconheceu, admitindo que o Executivo precisa de parceiros para melhorar os índices de qualidade de vida da população.

Igreja como parceira na luta contra as desigualdades

Referindo a Exortação Apostólica Dilexi Te do Papa Leão XIV, o Presidente citou a atenção especial de Deus aos discriminados e oprimidos, ideia que, segundo ele, serve de guia à acção diária do Executivo angolano. “Tem uma ressonância muito especial entre nós, governantes”, disse, sublinhando que a Igreja pode ajudar a combater a indiferença e a exclusão social.

Angola é um Estado laico, onde a liberdade religiosa é total. O catolicismo tem grande expressão no país, mas convive pacificamente com uma diversidade de confissões. Todos os anos realizam-se cultos ecuménicos rotativos, prova do carácter tolerante dos angolanos. O Presidente anunciou ainda que a Basílica da Nossa Senhora da Muxima, em fase de construção, permitirá aos fiéis católicos exprimirem melhor a sua devoção.

Angola como nação de diálogo e paz

O Chefe de Estado afirmou que a trajectória de Angola nas últimas cinco décadas ilustra a resolução de crises pelo diálogo, marca identitária da diplomacia nacional.

“Olhamos para o mundo como um espaço de coexistência entre pessoas e nações de culturas e religiões diferentes”, declarou.

Com preocupação, referiu os conflitos que proliferam no Médio Oriente, berço do Cristianismo, Islão e Judaísmo. “Assistimos com muita mágoa ao sofrimento dos povos da Palestina, do Líbano e dos países do Golfo Pérsico”, lamentou, apelando ao fim definitivo da guerra e à abertura do Estreito de Ormuz por via negocial.

Apelo à autoridade moral do Papa

O Presidente concluiu pedindo a Sua Santidade que continue a actuar como “construtor de pontes” e a usar a sua autoridade moral para promover o diálogo e a justiça nas relações internacionais. “É urgente que todos os estadistas influentes actuem conjuntamente para que a justiça e o diálogo prevaleçam sobre o uso da força”, sublinhou.

Desejou ao Papa uma estadia proveitosa em Angola e uma missão pastoral de grande sucesso, garantindo que o povo angolano o acolhe com “alegria e entusiasmo”.

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