O Papa Leão XIV iniciou a sua visita apostólica a Angola com um discurso carregado de esperança e proximidade ao povo angolano. Diante de altas autoridades do Estado, membros do Corpo Diplomático e representantes da sociedade civil, o Pontífice prestou solidariedade imediata às famílias afectadas pelas fortes chuvas e inundações que assolaram a província de Benguela, onde dezenas de casas foram destruídas e milhares de cidadãos viram o seu quotidiano profundamente afectado.

“Antes de prosseguir, gostaria de assegurar a minha oração pelas vítimas das fortes chuvas e inundações que atingiram a província de Benguela, bem como expressar a minha proximidade com as famílias que perderam suas casas”, afirmou o Santo Padre, destacando a corrente de solidariedade que já une os angolanos face à tragédia. A mensagem chega num momento em que as províncias do litoral e do centro enfrentam os impactos climáticos que comprometem a agricultura familiar, o acesso à habitação e a estabilidade económica de milhares de agregados.

O Papa sublinhou ainda os “tesouros que não se vendem nem se roubam” do povo angolano, nomeadamente a alegria que persiste apesar das dificuldades. “Essa alegria, que também conhece a dor, a indignação, as desilusões e as derrotas, resiste e reinará entre aqueles que mantiveram o coração e a mente livres do engano da riqueza”, declarou.

Alegria angolana como “virtude política”

Para o Papa Leão XIV, a alegria e a esperança dos angolanos não são apenas sentimentos pessoais, mas verdadeiras forças transformadoras. “A África é para o mundo inteiro uma reserva de alegria e esperança que eu não hesitaria em definir como virtudes políticas”, afirmou, elogiando os jovens e os mais pobres que continuam a sonhar e a preparar-se para grandes responsabilidades.

O Pontífice alertou contra a lógica extractivista que, “inclusivamente no vosso país”, coloca interesses prepotentes sobre as riquezas naturais. “Quanto sofrimento, quantas mortes, quantas catástrofes sociais e ambientais acarreta esta lógica!”, questionou, apelando a romper “esta cadeia de interesses que reduz a realidade e a própria vida a uma mera mercadoria”.

Diálogo e reconciliação para o bem comum

O discurso centrou-se no apelo ao diálogo como base de qualquer desenvolvimento harmonioso. Citando o Papa Francisco, Leão XIV defendeu que o conflito deve ser transformado “no elo de ligação de um novo processo”. “Felizes os pacificadores! Angola pode crescer muito se, em primeiro lugar, vocês que detendes a autoridade no país acreditarem na multiformidade da sua riqueza”, exortou.

Dirigiu-se directamente aos líderes políticos: “Não temeis as divergências, nem extingueis as visões dos jovens e os sonhos dos idosos. Sabei, sim, gerir conflitos, transformando-os em caminhos de renovação. Colocai o bem comum acima das partes”.

O papel da Igreja na construção de uma Angola de esperança
O Santo Padre concluiu reafirmando o compromisso da Igreja Católica, “fermento na massa”, em promover um modelo justo de convivência, livre de “escravidões impostas por elites com muito dinheiro e falsas alegrias”. “Juntos, podeis fazer de Angola um projecto de esperança”, disse, apelando à eliminação de obstáculos ao desenvolvimento humano integral.

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