As Reservas Internacionais Líquidas de Angola aumentaram ligeiramente para 15,90 mil milhões de dólares em 2025, alcançando uma cobertura de 7,9 meses de importações, apesar do superavit da Conta Corrente ter colapsado 91,5% para apenas 536,17 milhões de dólares (0,4% do PIB). A valorização do ouro e a aposta em títulos de dívida permitiram ao Banco Nacional de Angola (BNA) manter uma posição externa resiliente num ano marcado pela queda acentuada das exportações de petróleo.
De acordo com o Relatório Anual e Contas do BNA 2025, as receitas de exportação de petróleo bruto caíram 22,16%, passando de 31,40 mil milhões para 24,44 mil milhões de dólares. Este desempenho arrastou o saldo da Conta de Bens de 22,60 mil milhões para 15,04 mil milhões de dólares.
As importações subiram 9,35% para 15,51 mil milhões de dólares, com destaque para máquinas e equipamentos, aeronaves, embarcações e materiais de construção, reflectindo a continuação de projectos de infra-estruturas e a recuperação gradual da actividade económica.
Queda das exportações e impacto no kwanza
As exportações totais recuaram 16,96% para 30,56 mil milhões de dólares. Além da redução do volume exportado de crude (menos 9,28%), o preço médio da Ramba Angolana caiu 14,19% para 68,44 dólares por barril. O gás natural e os diamantes registaram ganhos, mas não compensaram a dependência petrolífera.
Apesar desta contracção, o kwanza mostrou notável estabilidade no mercado formal. A cotação encerrou o ano em 912,286 kwanzas por dólar, praticamente inalterada face aos 912,000 kwanzas de finais de 2024. Os bancos comerciais adquiriram 12 mil milhões de dólares ao mercado, valor superior ao registado em 2024.
A manutenção do stock de reservas explica-se por três factores principais: a valorização do ouro, a recomposição da carteira de activos e o financiamento via Conta Capital e Financeira.
O ouro, que representa actualmente 15,69% da carteira (face a 10,25% em 2024), valorizou cerca de 65% no mercado internacional. Com 592.901 onças mantidas inalteradas, o seu valor contabilístico no BNA subiu significativamente, gerando uma mais-valia potencial de 1.420,45 mil milhões de kwanzas.
Paralelamente, os títulos de dívida soberana, supranacionais e de agências governamentais aumentaram o seu peso para 46,12% da carteira. Esta estratégia permitiu ao BNA adoptar um perfil de investimento “moderado”, preservando liquidez e rentabilidade.
A Conta Capital e Financeira contribuiu para amortecer o impacto. O seu défice reduziu-se de 6,20 mil milhões para 365 milhões de dólares. O Investimento Directo Estrangeiro passou para superavit de 1,02 mil milhões de dólares e os desembolsos de endividamento externo público quase quadruplicaram.
O Governador do BNA, Manuel António Tiago Dias, contextualizou os números: “No sector externo, o saldo da conta de bens atingiu 14,01 mil milhões de dólares, face aos 22,60 mil milhões registados em 2024, traduzindo-se numa redução de 38,0%”.
Fonte: OutSide
