A TAAG – Linhas Aéreas de Angola transportou 1,26 milhões de passageiros em 2025, operou 26 destinos e gerou 437 milhões de dólares em receitas. Apesar dos números operacionais expressivos, a companhia nacional fechou o ano com um défice de 144,6 milhões de dólares. Os dados foram apresentados esta sexta-feira pelo presidente do Conselho de Administração, Clovis Rosa, em conferência de imprensa.
Clovis Rosa justificou o prejuízo com os elevados custos de transição para a nova frota, que inclui os Boeing 787-9 Dreamliner e Airbus A220-300. A mudança para o novo Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto (AIAAN) também gerou perturbações operacionais e despesas adicionais. Um ataque informático e o contexto global de preços voláteis do combustível completaram o quadro.
Estes investimentos, embora necessários, ainda não se reflectiram em ganhos de eficiência suficientes para compensar as despesas. O défice representa cerca de 33% das receitas totais, um valor que levanta questões sobre a sustentabilidade financeira da empresa.
Programa PALANCA e reforço humano
Para enfrentar estes desafios, a companhia implementou o programa PALANCA, desenvolvido em parceria com a Lufthansa Consulting. O foco está na reestruturação das áreas de segurança operacional, engenharia, manutenção e eficiência organizacional.
Em 2025, a TAAG contratou 275 novos trabalhadores, incluindo pilotos, tripulantes de cabine e técnicos especializados, além de ter investido em formação específica para operar os novos equipamentos mais sofisticados.
2026: o ano da viragem?
Clovis Rosa definiu 2025 como o ano da “organização e estabilização” e apontou 2026 como o período de efectiva recuperação. A prioridade declarada passa pela regularidade dos voos, recuperação da confiança dos passageiros e redução dos custos unitários.
A expectativa dos angolanos é que a modernização da frota se traduza em bilhetes mais acessíveis, maior pontualidade e melhor conectividade entre as províncias e com o exterior, contribuindo efectivamente para o desenvolvimento económico do país.
A verdadeira prova da estratégia será o desempenho de 2026. Uma companhia de bandeira com défices elevados precisa de demonstrar que os investimentos em aeronaves modernas se convertem em resultados financeiros sustentáveis e em serviço de qualidade para os cidadãos.
Fonte: Jornal Mercado
