A Sonangol, petrolífera estatal angolana, alargou o seu leque de parceiros bancários nacionais no exercício de 2025, quebrando um ciclo de exclusividade de financiamento doméstico que, desde 2019, era dominado pelo Banco Angolano de Investimento (BAI). Através da contratação de três novos empréstimos junto da banca local, a empresa incluiu o Banco de Comércio e Indústria (BCI) e o Banco Keve na sua estrutura de credores, numa estratégia que visa diversificar o risco e ampliar as fontes de liquidez em solo nacional.
No decurso do último ano, a petrolífera celebrou três contratos distintos de financiamento. O maior deles, formalizado com o BAI, fixou-se nos 100 milhões de dólares (aproximadamente 91,2 mil milhões de kwanzas), com uma maturidade de 24 meses e uma taxa de juro fixa de 9% ao ano.
Paralelamente, em Outubro de 2025, a Sonangol captou mais 70 milhões de dólares repartidos equitativamente entre o BCI e o Banco Keve (35 milhões de dólares cada). Estas operações apresentam características semelhantes:
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Maturidade: 18 meses;
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Carência de capital: 6 meses;
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Taxa de juro: Fixa de 9% ao ano.
A Ascensão do Grupo Carrinho no Sector Financeiro
A entrada do BCI e do Keve no ecossistema de financiamento da Sonangol sublinha o peso crescente de instituições ligadas ao Grupo Carrinho. O BCI, recorde-se, integra formalmente a esfera de influência do grupo sediado em Benguela. No que concerne ao Banco Keve, a alteração da sua estrutura accionista em favor de entidades ligadas ao mesmo grupo já mereceu o parecer favorável do regulador bancário e da Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC), embora o banco aguarde ainda a actualização formal da sua estrutura pública.
A estratégia de diversificação não se limitou a 2025. Segundo dados apurados, a Sonangol consolidou este modelo em 2026 através de um novo acordo de financiamento estruturado em sindicato bancário. Este montante global inclui uma participação de 105 milhões de dólares da banca nacional, distribuída da seguinte forma:
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BFA: 35 milhões USD;
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Millennium Atlântico: 30 milhões USD;
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BAI: 25 milhões USD;
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Banco Sol: 15 milhões USD.
Este sindicato conta ainda com a robustez de instituições internacionais como o Standard Bank, Société Générale, ABSA e First Abu Dhabi Bank, prevendo um prazo de reembolso alargado de sete anos, reflectindo uma maior confiança dos mercados na sustentabilidade financeira da petrolífera de bandeira.
Fonte: Valor Económico
