Cerca de 55 funcionários da empresa JJ Madilo Comércio Geral e Prestação de Serviços, que actua em unidades hospitalares estratégicas de Luanda, iniciaram uma greve no passado dia 10 de Junho. A paralisação é motivada por atrasos salariais críticos que chegam a atingir 11 meses para os funcionários mais antigos, além de denúncias de precariedade laboral extrema, incluindo a ausência de contratos de trabalho e o não pagamento do salário mínimo nacional actualizado.

A crise na JJ Madilo, empresa que presta serviços terceirizados de limpeza, apoio e maqueiros a unidades como o Hospital Geral de Viana (Bispo Emílio de Carvalho), o Hospital Dom Cardeal Alexandre do Nascimento e o Hospital Geral de Luanda, atingiu o seu ponto de ruptura. Segundo os grevistas, a estrutura de trabalho — originalmente composta por cinco turnos de 11 trabalhadores cada — está a colapsar devido à desistência de vários colaboradores incapacitados de custear a deslocação ao serviço.

Para além dos vencimentos não pagos, que variam entre sete e 11 meses de dívida acumulada, os funcionários denunciam um cenário de “total desprotecção jurídica”. Relatos colhidos no local indicam que a empresa não formalizou contratos de trabalho nem emitiu cartões de identificação profissional. “Trabalhamos sob constante pressão psicológica. Somos tratados como descartáveis enquanto os gestores gerem os valores que recebem do Estado”, desabafou um dos colaboradores em declarações que expõem a fragilidade da fiscalização laboral no sector.

As consequências da falta de pagamento são devastadoras para os agregados familiares. Muitos trabalhadores relatam situações de despejo de casas arrendadas, incapacidade de garantir a alimentação básica e dificuldades no pagamento das propinas escolares dos filhos. O aumento gritante do custo de vida em Luanda agrava ainda mais a situação daqueles que, mesmo sem receber, continuaram a assegurar o funcionamento dos hospitais até ao limite das suas forças.

A reacção da empresa

Em resposta ao portal Na Mira do Crime, a direcção da JJ Madilo confirmou a existência de constrangimentos. Sem avançar datas concretas para a liquidação da dívida, o responsável da empresa assegurou que estão a ser “desenvolvidos mecanismos” para regularizar os salários em atraso. A direcção apelou à compreensão dos funcionários, alegando que esforços estão em curso para normalizar a situação financeira da instituição.

Fonte: Na Mira do Crime

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