O Presidente da República, João Lourenço, procedeu hoje, em Luanda, à abertura oficial da III Cimeira da Aliança das Civilizações das Nações Unidas. Perante Chefes de Estado, líderes religiosos e representantes diplomáticos, o Titular do Poder Executivo angolano lançou um apelo vigoroso à solidariedade internacional e ao respeito pelo Direito Internacional, destacando a experiência de Angola na transição do conflito para a paz como um modelo de resiliência e reconciliação para as crises actuais na África e no mundo.

Num cenário de crescente deterioração da estabilidade global, o Presidente angolano sublinhou que a recepção desta cimeira em Luanda ocorre num momento em que o mundo enfrenta “desafios profundos”, marcados por crises humanitárias e tensões geopolíticas. João Lourenço foi incisivo ao enumerar os teatros de guerra que exigem uma intervenção urgente do sistema multilateral.

O Chefe de Estado defendeu que o diálogo entre civilizações não é apenas um exercício diplomático, mas uma “condição essencial” para a sobrevivência das nações. “É urgente que unamos esforços para ajudar a resolver os conflitos armados no Leste da RDC, no Sudão, no Sahel, na Somália, na Ucrânia e no Médio Oriente”, afirmou, destacando ainda a necessidade de combater o terrorismo e o uso de mercenários para derrubar governos democraticamente eleitos.

Recordando a trajectória do país, o Presidente frisou que os angolanos conhecem bem o “custo da guerra e o valor do perdão”. João Lourenço pontuou que só após a conquista da paz, em 4 de Abril de 2002, foi possível a Angola edificar um Estado Democrático de Direito e implementar políticas públicas centradas no desenvolvimento e na segurança alimentar.

“A nossa experiência ensina-nos que nenhum objectivo justifica a destruição e o sofrimento causados pela guerra”, reiterou o Presidente.

Proposta de um Programa Global de Paz

Como nota de destaque da sua intervenção, Angola propôs a criação de um Programa Global de Educação e Cultura para a Paz e Cidadania, em parceria com a UNESCO e a Aliança das Civilizações. Este programa deverá focar-se no diálogo entre gerações e no respeito mútuo entre culturas como pilares para a estabilidade sustentável.

O Presidente reafirmou ainda o compromisso com a Bienal de Luanda, que terá a sua 4.ª edição este ano, consolidando a capital angolana como o centro do Fórum Pan-Africano para a Cultura da Paz.

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