O mapa das exportações portuguesas para Angola sofreu uma reconfiguração estrutural nos últimos quatro anos. Segundo dados oficiais de Portugal, consultados pela agência Lusa, o número de empresas portuguesas a vender bens ao mercado angolano recuou de 4.225, em 2021, para 3.512 em 2025, o que representa uma quebra de 16,9%.
Apesar da redução no número de agentes económicos, o valor total das vendas mantém-se robusto, sendo cada vez mais assegurado por um pequeno grupo de grandes exportadores. Este movimento indica uma relação comercial mais concentrada, ao mesmo tempo que reflecte a estratégia de diversificação de parceiros por parte de Angola.

Concentração e dependência do mercado nacional

A análise dos dados revela que a actividade comercial está fortemente polarizada. Em 2025, apenas 200 empresas facturaram 72% do total das exportações portuguesas para Angola. Destas, 11 grandes grupos asseguraram, sozinhos, 24,4% do volume, enquanto outras 189 empresas responderam por 47,6%.
Em contrapartida, as restantes 2.950 empresas – que representam 84% do universo de exportadores – realizaram apenas 26,7% do valor total exportado.
Um dado que merece atenção é o elevado grau de dependência que muitas destas pequenas empresas tinham do nosso país: 2.020 companhias concentravam em Angola mais de três quartos das suas vendas ao exterior, e quase metade (1.635) exportava exclusivamente para o mercado angolano. A saída de 211 empresas apenas entre 2024 e 2025 sugere um ajustamento natural de operadores que não conseguiram sustentar a sua presença num mercado em crescente competitividade.

Balança comercial e a aposta na diversificação

No cômputo geral de 2025, as exportações portuguesas de bens para Angola fixaram-se em 1.090,8 milhões de euros. Por outro lado, as importações portuguesas provenientes de Angola somaram 233,6 milhões de euros, um crescimento expressivo de 144,4% face a 2024, resultando num saldo comercial favorável a Portugal de 857,2 milhões de euros.
Do lado da oferta portuguesa, as máquinas e aparelhos lideraram as vendas (319,2 milhões de euros), seguidos dos produtos químicos (137,5 milhões), géneros alimentícios (119,6 milhões) e metais comuns (111,9 milhões). Entre os produtos individuais, destacaram-se os vinhos (53,7 milhões de euros, +21,9%), os medicamentos (51,5 milhões) e os instrumentos médico-cirúrgicos (33,7 milhões, +35,8%).
Já nas importações portuguesas originárias de Angola, os combustíveis minerais representaram 83,1% do total (194,1 milhões de euros, +176,1%), dos quais 189,4 milhões de euros corresponderam exclusivamente a petróleo bruto. Contudo, é relevante notar a presença de produtos não petrolíferos na pauta exportadora, como os crustáceos (17,8 milhões de euros) e as bananas (5,2 milhões de euros), sinais positivos da aposta na diversificação da economia nacional.

Perspectivas e reequilíbrio no arranque de 2026

Dados preliminares referentes aos primeiros quatro meses de 2026 apontam para uma subida de 9% nas exportações portuguesas para Angola (361,4 milhões de euros), mantendo-se as máquinas, os químicos e os géneros alimentícios como os principais sectores.
Contudo, o mesmo período regista uma queda de 83,2% nas importações portuguesas vindas de Angola, que totalizaram apenas 13,9 milhões de euros. Um facto notável é a ausência de importação de combustíveis minerais por parte de Portugal entre Janeiro e Abril de 2026, em contraste com os 71,5 milhões de euros registados no período homólogo de 2025. Neste intervalo, os produtos agrícolas passaram a representar 71,8% das importações portuguesas originárias de Angola.
De acordo com dados do International Trade Centre, Portugal manteve-se em 2025 como o segundo maior fornecedor de Angola. No entanto, foi apenas o 23.º cliente do país, absorvendo meros 0,5% das exportações angolanas.
A quota de mercado portuguesa nas importações angolanas recuou de 11,9% em 2021 para 9,8% em 2025. Esta tendência, aliada à saída de centenas de pequenos exportadores, indica que a relação comercial entre os dois países está a assentar num número mais reduzido de grandes empresas e a tornar-se, em termos relativos, menos dependente do lado angolano. Este cenário é coerente com as políticas públicas nacionais que têm incentivado a diversificação de fontes de abastecimento e o fortalecimento da produção interna, em estrito cumprimento dos objectivos de desenvolvimento económico sustentável de Angola.
Fonte: Jornal Mercado

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