O Presidente da República, João Lourenço, autorizou um investimento de 4,6 milhões de dólares para o lançamento do Programa de Cibersegurança do Governo Digital, com o objectivo de blindar as plataformas públicas e proteger dados sensíveis do Estado. A medida, formalizada através de um despacho presidencial recente, surge em resposta directa ao aumento da vulnerabilidade das infra-estruturas críticas nacionais e prevê a abertura imediata de um concurso público internacional para a contratação de serviços especializados.
O novo programa integra o Projecto de Aceleração Digital de Angola (PADA), uma iniciativa financiada através de um acordo entre o Estado angolano e o Banco Mundial. O foco central desta verba é reforçar a resiliência dos serviços digitais públicos por via da implementação de um Centro de Operações de Segurança (SOC), capaz de monitorizar, detectar e responder a incidentes em tempo real.
Prioridades Estratégicas:
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Avaliação de Maturidade: Diagnóstico profundo da actual robustez dos sistemas públicos.
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Estratégias de Protecção: Definição de normas rígidas para a salvaguarda de infra-estruturas críticas de informação.
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Resposta a Incidentes: Criação de mecanismos de defesa activa contra intrusões externas.
A decisão do Executivo é tomada num cenário de pressão crescente sobre a segurança informática em Angola. No final de Agosto, a operadora Unitel sofreu um ataque cibernético de larga escala que paralisou serviços de voz e dados em todo o território nacional, afectando milhões de utilizadores particulares e o sector empresarial.
Adicionalmente, em Maio de 2025, o grupo “CyberTeam” — autoproclamado o exército cibernético da CPLP — reivindicou uma intrusão nos sistemas da Assembleia Nacional, alegando ainda ter tido acesso a dados de ministérios chave como as Finanças (MINFIN) e o Interior (MININT), além do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Combate ao Crime Transnacional
No plano judicial, as autoridades angolanas intensificaram a perseguição ao cibercrime. Recentemente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) viabilizou a extradição, a partir de Portugal, de Fernando Nunes Correia. O cidadão angolano é suspeito de integrar uma rede criminosa internacional — com ramificações na Nigéria, Costa do Marfim, Benim e Líbano — que terá facilitado o acesso remoto fraudulento aos sistemas de uma instituição bancária nacional.
Actualmente, dez indivíduos encontram-se em prisão preventiva no âmbito deste caso, enquanto o Serviço de Investigação Criminal (SIC) prossegue com diligências para desmantelar o restante da estrutura em solo nacional.
