Angola arrecadou 3,04 biliões de kwanzas em receitas petrolíferas no segundo trimestre deste ano, um aumento de 19,8% face aos 2,52 biliões registados no mesmo período de 2025. O valor representa mais 52 mil milhões de kwanzas e corresponde a 41% do previsto no Orçamento Geral do Estado (OGE) 2026, segundo o Relatório de Execução do II Trimestre.

O crescimento resulta, em grande parte, da cotação média do Brent a 102 dólares por barril entre Abril e Junho, bem acima dos 61 dólares usados como referência no OGE. Esta diferença de cerca de 67% gerou receitas superiores às programadas, com impacto directo na capacidade do Estado para pagar dívida e regularizar atrasados a fornecedores.

No total, as receitas do Estado no trimestre atingiram 9,85 biliões de kwanzas, equivalentes a 30% da receita anual prevista. A contribuição petrolífera representou 31% desse montante.

Preço do petróleo acima das expectativas orçamentais

O OGE 2026 foi aprovado com base num preço médio de referência de 61 dólares por barril. No entanto, a cotação média do Brent no segundo trimestre situou-se em 102 dólares, o que explica o desempenho acima do previsto nas receitas do sector.

Em comparação, no segundo trimestre de 2025 as receitas petrolíferas tinham sido de 2,52 biliões de kwanzas, com uma execução de apenas 23% do previsto naquele ano e uma participação de 42% na receita total.

O Executivo indica que as receitas excedentes foram prioritariamente destinadas à amortização de passivos do Estado, tanto na componente financeira (serviço da dívida pública) como na não financeira (regularização de atrasados perante fornecedores), num contexto de défice de 2,7% do PIB aprovado no OGE.

O Orçamento Geral do Estado para 2026 prevê receitas e despesas autorizadas no valor de 33,24 biliões de kwanzas, um valor inferior aos 34,63 biliões do exercício anterior. A boa performance petrolífera no segundo trimestre contribui para aliviar a pressão sobre as contas públicas e pode facilitar o cumprimento de compromissos com fornecedores, com reflexos positivos na cadeia económica e no poder de compra das famílias.

Ainda assim, o peso do petróleo nas receitas totais continua a lembrar a necessidade de diversificação da economia, para reduzir a dependência de um sector sujeito à volatilidade dos mercados internacionais.

Fonte: Economia & Mercado

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