Os dados, segundo Sophie Aubert, foram reunidos pelo Serviço Económico da Embaixada de França para a visita oficial do Presidente João Lourenço a França, em Janeiro de 2025. A presença empresarial francesa abrange sectores como petróleo e gás, água, transportes, construção, saúde, alimentação, indústria, soluções digitais e formação de mão-de-obra angolana.

“A cooperação económica franco-angolana é uma cooperação de longo prazo”, afirmou a diplomata, defendendo o reforço da participação francesa em áreas estratégicas para a diversificação da economia angolana.

Nos transportes e na logística, a embaixadora destacou a operação de empresas francesas no terminal de carga geral e de contentores do Porto de Luanda, no transporte marítimo e na gestão de terminais. Referiu igualmente as ligações internacionais asseguradas pela Air France e a presença da Airbus no mercado angolano, bem como a participação francesa em projectos de infra-estruturas marítimas, incluindo a construção da Marina de Luanda.

No sector da água e saneamento, empresas francesas participam, de acordo com a diplomata, em projectos de construção, modernização e assistência técnica em Luanda, dirigidos à melhoria do acesso à água potável. Na energia, a TotalEnergies mantém uma presença relevante no petróleo e gás, enquanto outras empresas acompanham a transição energética.

A presença francesa inclui ainda equipamentos e serviços de saúde, alimentação e bebidas, indústria, audiovisual, soluções digitais e projectos de satélites e de observação da Terra. Sophie Aubert mencionou também cooperação no domínio da defesa e das capacidades marítimas e navais.

Para além do investimento privado, França dispõe de instrumentos de apoio institucional e financeiro. A Agência Francesa de Desenvolvimento já comprometeu cerca de 900 milhões de euros em Angola, segundo a embaixadora. A Proparco disponibiliza crédito e garantias ao sector privado, enquanto a Business France promove a internacionalização das empresas francesas e a atractividade de Angola.

Sophie Aubert sublinhou que as empresas francesas contribuem para a criação de emprego, a actividade económica, a arrecadação de impostos e a formação de quadros angolanos. Como exemplo, apontou uma empresa do sector das bebidas que terá assegurado cerca de 80 mil horas de formação nos últimos quatro anos.

A diplomata defendeu, contudo, um ambiente de negócios mais previsível, com políticas públicas claras e um quadro regulatório transparente, para captar investimento de longo prazo. A parceria, sustentou, deverá continuar a combinar capital privado, financiamento público, cooperação técnica e transferência de tecnologia, em função das prioridades de Angola.

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