As empresas angolanas têm capacidade técnica para responder aos padrões exigidos pela indústria petrolífera, mas a sua participação no sector continua baixa, segundo um responsável de uma empresa prestadora de serviços à indústria petrolífera.

Na sua avaliação, a presença de companhias nacionais deve ser encarada como uma questão estratégica, por representar um factor de soberania na exploração de um recurso nacional. O responsável sustenta que os rendimentos obtidos pelas empresas angolanas podem repercutir-se na economia através da criação de empregos e do surgimento de grandes empresários nacionais capazes de diversificar investimentos para outros ramos de actividade.

Apesar das transformações em curso na economia petrolífera e das preocupações ambientais que influenciam decisões de investimento, o interlocutor considera que o petróleo continua a ser um recurso incontornável, com utilização que vai além do sector energético. Por isso, defende que as empresas nacionais devem reforçar a sua presença na cadeia de valor.

O responsável relaciona igualmente este reforço com a preparação para um período pós-petróleo, no qual, segundo afirmou, os angolanos poderão ter de fazer um percurso mais solitário.

Entre os obstáculos apontados está a necessidade de compatibilizar o conteúdo local angolano com as exigências de conteúdo local dos países de origem dos investidores. Segundo explicou, operadores estrangeiros recorrem frequentemente a empresas dos seus próprios países, em parte por compromissos associados a financiamentos ou mecanismos de exportação recebidos nos respectivos mercados de origem.

“Precisamos fazer essa compatibilização”, defendeu, considerando que o País deve criar condições efectivas de colaboração para tornar as empresas angolanas mais competitivas.

A lei cambial aplicável ao sector petrolífero é outro dos pontos levantados. O responsável afirmou que, como grande parte dos bens necessários à actividade é importada, as empresas angolanas precisam de adquirir divisas junto da banca para cumprir os seus compromissos externos.

Acrescentou que a falta de financiamento condiciona a actuação do empresariado nacional e que operações provenientes de Angola são vistas com suspeição por entidades no exterior, numa referência à inclusão do País na lista cinzenta do GAFI.

O interlocutor defende, assim, uma aplicação mais favorável do regime jurídico do conteúdo local e uma maior coordenação institucional, com vista a aumentar a competitividade e a participação das empresas angolanas na indústria petrolífera.

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