A estimativa resulta da soma de cerca de 224 milhões de dólares de exposição pública directa já identificada, aproximadamente 190 milhões de dólares que o Fundo Soberano de Angola (FSDEA) ainda deverá realizar e uma Garantia Soberana de até 350 milhões de dólares. Trata-se, por isso, de uma combinação entre investimento já efectuado, compromisso futuro e risco contingente.

O projecto é actualmente avaliado em cerca de 2,6 mil milhões de dólares. Na estrutura accionista, o Grupo OPAIA detém 61%, enquanto o FSDEA tem 29% e a Sonangol 10%. As duas entidades públicas representam, assim, 39% do capital da Amufert, percentagem que corresponde economicamente a cerca de 1,014 mil milhões de dólares, tendo por referência o custo estimado do empreendimento.

A componente de dívida anunciada situa-se entre 1,4 mil milhões e 1,45 mil milhões de dólares, ou cerca de 54% a 56% do investimento previsto. Descontada esta parcela, ficam aproximadamente 1,15 mil milhões a 1,2 mil milhões de dólares por cobrir por capital próprio e outras fontes de financiamento.

O FSDEA materializou em 2025 uma realização de capital de 130 milhões de dólares na Amufert. Segundo a informação disponível, esse valor representa pouco mais de dois quintos do compromisso do Fundo no projecto, estimado em cerca de 320 milhões de dólares. Permaneceriam, desta forma, cerca de 190 milhões de dólares por realizar.

A Sonangol, por seu turno, combina uma participação de 10% com suprimentos concedidos à Amufert para a construção da fábrica. No final de 2025, a participação estava contabilizada em 2,17 mil milhões de kwanzas, equivalentes a cerca de 2,4 milhões de dólares, enquanto os suprimentos da Sonangol Gás Natural e Energias Renováveis totalizavam 83,7 mil milhões de kwanzas, ou cerca de 91,6 milhões de dólares.

Somando os 130 milhões de dólares realizados pelo FSDEA, os cerca de 2,4 milhões correspondentes à participação contabilizada pela Sonangol e os 91,6 milhões de dólares em suprimentos, a exposição pública directa identificada aproxima-se de 224 milhões de dólares.

Em termos económicos, os 10% da Sonangol equivaleriam a cerca de 260 milhões de dólares do custo actual estimado do projecto. A diferença face aos cerca de 2,4 milhões de dólares contabilizados como participação poderá ser realizada por vias distintas, incluindo os suprimentos já efectuados, não sendo possível determinar, com a informação disponível, a composição final dessa realização.

A Sonagás surge ainda, juntamente com o Grupo OPAIA, como *strategic sponsor* na operação de financiamento anunciada pelo Afreximbank. Em 2024, o banco comunicou uma facilidade de 1,4 mil milhões de dólares, posteriormente apresentada em 1,45 mil milhões. A informação mais recente referida no material indica que a documentação necessária ao *financial close* continuava em formalização. Os documentos públicos mencionados não permitem determinar a existência de compromissos financeiros adicionais da Sonagás na operação.

Até 31 de Julho de 2026, a Amufert reportava desembolsos de cerca de 477 milhões de dólares, equivalentes a aproximadamente 18,3% do investimento total previsto. O valor é cerca de 253 milhões de dólares superior aos 224 milhões de exposição pública directa já identificada, diferença que não permite, por si só, atribuir os recursos ao Grupo OPAIA, podendo incluir capital privado, financiamento bancário disponibilizado ou outras fontes de financiamento.

A estrutura definitiva do capital próprio do projecto, incluindo a contribuição efectiva do Grupo OPAIA e a forma de realização das participações dos accionistas públicos, permanece por esclarecer com base na informação disponível.

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