Em Angola, a divisão de Luanda e de outras províncias começa a ser implementada já em janeiro e os governadores províncias já foram apresentados às comunidades. O que dizem os moradores que deixarão de viver em Luanda?

Não é a primeira vez que Luanda é dividida em duas províncias. Em 1980, da capital angolana surgiu a província do Bengo. Passados ​​45 anos, Luanda volta a ser divida dando origem a Icolo e Bengo.

A província de Icolo e Bengo é atualmente integrada pelos territórios do Zango, Centralidade do Sequele, Funda, Calumbo, Kikuxi entre outros.

Quem vai deixar de pertencer a Luanda tem “uma sensação esquisita”, como diz o cidadão Ambrósio Augusto Pedro.

“Sempre morei aqui em Luanda e me mudei para o Zango já há alguns anos. E agora, daqui a alguns dias, Zango deixará de ser Luanda e passará a ser Icolo e Bengo. É uma sensação esquisita”, conta.

Opiniões divididas e dúvidas

Já João Sebastião, outro morador, não se mostra preocupado com a desanexação do Zango da província de Luanda.

“Não vou deixar de ser de Luanda. Sempre fui de Luanda e vou continuar sendo de Luanda. Simplesmente o que mudou foi a região, eu não”, diz relutante.

Também os que vão continuar como moradores da capital angolana não manifestam grande interesse quanto ao tema da divisão político-administrativa.

O mototaxista Farias Kassoma, por exemplo, que trocou Waku Kungo, província do Cuanza Sul, por Luanda só tem um sonho: trabalhar na petrolífera estatal angolana.

A Lei da Divisão Política e Administrativa de Angola foi aprovada em agosto deste ano. O país passou a ter três novas províncias: Icolo e Bengo, Moxico Leste e Cuando.

Cinco meses depois, ainda há perguntas no ar: “Eu gostaria de saber por que vamos parar no Icolo e Bengo?”, questiona o jovem Cristóvão André.

Novos governadores apresentados

Os governadores do Icolo e Bengo, Auxílio Jacob, do Cuando, José Martins e do Moxico Leste, Crispiniano dos Santos, já foram apresentados às suas comunidades. Mas as despesas destas províncias contidas no Orçamento Geral do Estado para 2025 começam apenas a partir de janeiro.

Entretanto, ainda há quem não veja na divisão política-administrativa a aproximação dos serviços, como fundamentou o Governo.

Cláudio Fortuna, pesquisador da Universidade Católica de Angola (UCA), defende que as autarquias seriam a melhor solução.

“É preciso prefeituras para que se dê a possibilidade de quem for eleito ter exatamente essa orientação para com seus munícipes. E se eventualmente não estiver cumprindo, tem a pressão de que pode ser retirado a qualquer momento”, explica.

Questionado sobre se essa divisão trará melhorias na vida das populações, Fortuna comenta o caso particular de Luanda e diz que precisava de mais organização e não de uma divisão.

“No caso particular de Luanda, que não é uma província muito grande – apesar de ter muita gente -, passa, sobretudo por maior organização. E se os poderes todos estão concentrados em Luanda, mais razão temos para acreditar que, com maior organização, espírito de responsabilidade e espírito patriótico poderíamos ter uma cidade melhor organizada”, finaliza o pesquisador. DW

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