Uma auditoria conduzida pela Ernst & Young às contas da Mundial Seguros, seguradora detida pelo Banco de Poupança e Crédito (BPC), revelou irregularidades significativas nos registos contabilisticos de 2024. O relatório destaca a falta de documentação que comprove os saldos de rubricas como “prémios em cobrança”, “devedores” e “credores”, além da ausência de um inventário técnico de sinistros pendentes devidamente reconciliado. A auditoria também aponta a inexistência de procedimentos de avaliações actuariais e a falta de informação histórica que permita verificar a suficiência das provisões técnicas.

De acordo com o relatório, das cinco reservas registadas no exercício de 2023, duas persistem no parecer de 2024, indicando que as falhas não foram corrigidas. A Ernst & Young informou que não obteve confirmação externa para uma parte significativa dos saldos do balanço. No activo, as rubricas “prémios em cobrança” totalizam 557.783.252 kwanzas (2023: 166.327.031 kwanzas) e “devedores” somam 1.844.408.640 kwanzas (2023: 1.612.138.622 kwanzas). No passivo, a rubrica “credores” atinge 1.091.716.569 kwanzas (2023: 3.372.440.870 kwanzas). A ausência de suportes documentais ou reconciliações adequadas impede a verificação da natureza e razoabilidade desses valores.

Além disso, a auditoria questiona a razoabilidade das provisões para ajustamento de recibos por cobrar (136.850.704 kwanzas) e cobrança duvidosa (1.382.482.218 kwanzas), bem como os impactos de reavaliações cambiais em transações em moeda estrangeira. No que diz respeito a sinistros, a Mundial Seguros não dispõe de um inventário técnico reconciliado, comprometendo a avaliação da provisão para sinistros, que totaliza 7.449.373.556 kwanzas (2023: 6.235.992.688 kwanzas), e da variação da provisão para sinistros, no montante de 1.021.303.373 kwanzas (2023: 1.837.338.520 kwanzas).

A falta de procedimentos actuariais e de dados históricos confiáveis também impede a confirmação da suficiência das provisões técnicas, incluindo a rubrica de provisão para riscos em curso. Estas falhas, segundo a Ernst & Young, limitam a capacidade de avaliar a saúde financeira da seguradora, levantando preocupações sobre a gestão e transparência das suas operações.

A Mundial Seguros, administrada por Cláudio Pinheiro, enfrenta agora o desafio de corrigir estas irregularidades para cumprir os padrões de governação e transparência exigidos pelo mercado e pela legislação angolana. O BPC, enquanto accionista maioritário, poderá ser chamado a intervir para assegurar a regularização das contas e a sustentabilidade da seguradora. VE

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