Com a execução física da obra do Centro Regional de Reabilitação Física General Armando da Cruz Neto, em Benguela, a atingir 97%, a conclusão está prevista para Julho, no pior dos cenários. Contudo, o início da assistência aos pacientes permanece condicionado devido a indefinições sobre o orçamento para equipar a unidade, estimado em um milhão de euros, soube o Novo Jornal.
Há vários anos, os serviços de ortopedia e fisioterapia, principais focos do centro que homenageia o ex-governador provincial, são prestados numa estrutura provisória, sem condições adequadas. O consórcio financiador, composto por quatro operadores petrolíferos do bloco 18 – Azule Energy, Sonangol, Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANPG) e Sinopec –, considera o custo do apetrechamento elevado, segundo apurou o Novo Jornal.
A proposta de equipamento foi apresentada pela construtora Rise Angola, uma organização não governamental que assumiu a obra em Janeiro de 2024, 15 anos após o lançamento do projecto. O abandono da empreitada resultou em perdas significativas para o Estado angolano, mas a intervenção do consórcio, no âmbito das suas responsabilidades sociais, tem mitigado o impacto.
Não há registos de pronunciamentos oficiais sobre os custos inicialmente estimados pelo Ministério da Saúde em 2009, ano de lançamento da obra, nem sobre o montante aplicado pelo consórcio na reabilitação. Em declarações à imprensa nesta quinta-feira, 5 de Junho, o director de Comunicação, Imagem e Relações Inter-governamentais da Rise Angola, Paulino Huambo, destacou os desafios encontrados: “Encontrámos um edifício antigo e degradado, o que tornou inevitáveis os reajustes, sobretudo na parte eléctrica.”
Huambo sublinhou a necessidade de um Posto de Transformação (PT) compatível com os equipamentos, mas evitou divulgar valores, respeitando as regras dos parceiros. “O mercado interno não dispõe de meios à altura desta unidade, pelo que os equipamentos serão importados da Alemanha”, revelou.
Durante uma visita ao local, o governador provincial de Benguela, Manuel Nunes Júnior, sugeriu que a inauguração ocorra com o centro totalmente equipado. “Estamos satisfeitos. Esta unidade vai ajudar a recuperar pessoas com traumas, não apenas em Benguela, mas também nas províncias do Huambo, Bié, Kwanza Sul e Namibe”, afirmou, reconhecendo que o funcionamento depende do apetrechamento.
Com capacidade para atender até 450 pacientes por dia, contra os actuais 100 na estrutura degradada, o centro contará com uma oficina para produção de próteses e órteses, um espaço de nutrição, áreas para crianças com diferentes patologias e uma sede do Instituto Nacional de Emergências Médicas (INEMA). Este será o segundo centro do género no país, após o de Luanda.
Fonte: Novo Jornal
