Num cenário marcado por contrastes, a Sociedade Mineira de Catoca encerrou o exercício económico de 2025 com um lucro líquido de 109 milhões de dólares — valor que levou os sócios, Endiama e Taadeen Investment LLC, a aprovarem a distribuição de 90% dos resultados em dividendos. Contudo, esse desempenho financeiro robusto ocorre ao mesmo tempo em que cresce o descontentamento entre os seus trabalhadores, que denunciam condições laborais precárias, salários estagnados e falta de reconhecimento profissional.
“Enquanto o director se preocupa em projectar uma imagem perfeita, os trabalhadores vivem em condições precárias, com salários estagnados e falta de reconhecimento”, afirmou um funcionário com mais de uma década de casa, numa crítica que ecoa entre diversos sectores da empresa. Entre os pontos mais sensíveis está o alegado patrocínio milionário a uma equipa de basquetebol — decisão vista por muitos colaboradores como desconectada da realidade vivida no terreno, onde prevalecem dificuldades financeiras e infra-estruturas consideradas deficientes.
A situação ganhou contornos institucionais com a recente renúncia de Benedito Paulo Manuel ao cargo de Director-Geral e CEO. Em comunicado de despedida, Manuel justificou a sua saída como uma forma de “abraçar novos desafios profissionais” e “salvaguardar os interesses da empresa num contexto de alguma tensão institucional”. A sua substituição foi imediata, cabendo agora a Pedro Inácio Velasco Galiano assumir a liderança da maior sociedade mineira de Angola.
Fonte: Imparcial Press
