A fábrica de cimento CIF, um dos maiores ativos industriais de Angola, está no centro de um concurso público que aponta a Grinner como favorita para assumir sua gestão. Ligada a interesses do Banco Angolano de Investimentos (BAI) e a figuras influentes, a empresa lidera a lista de qualificados, mas o processo enfrenta críticas por alegadas irregularidades.
Quatro Consórcios na Disputa
A Comissão de Negociação divulgou a qualificação preliminar para a fase de licitação em leilão eletrónico, selecionando quatro consórcios:
- Grinner/Ciment/Mercons
- Moçambique Dugongo
- S&H/Yufeng Cement, Ltd
- Huaxin Cement
A Grinner destaca-se como a mais cotada para gerir a fábrica, que tem capacidade para produzir 3,6 milhões de toneladas de cimento por ano, mas opera hoje a apenas 15% do potencial, contribuindo para a escassez do produto e preços elevados – cerca de sete mil kwanzas por saco de 50 kg.
Suspeitas de Irregularidades
Fontes próximas ao processo questionam a transparência do concurso. “A Grinner, com tantas empreitadas, respeita o limite de endividamento de 5% exigido? E a Cimenfor, sua parceira, está dentro dos padrões?”, indaga uma fonte anónima. A Mercons, outra empresa do consórcio, é liderada por um irmão do empresário Silvestre Tulumba, o que alimenta dúvidas sobre a credibilidade da disputa.
Críticos apontam que o concurso reproduz práticas questionáveis de gestões passadas. “Há interesses obscuros. O processo está viciado e deveria ser anulado”, defende a fonte, alertando para a presença de empresas com histórico duvidoso, algumas sediadas em paraísos fiscais.
Histórico de Problemas
O Instituto de Gestão de Ativos e Participações do Estado (IGAPE) anulou um concurso anterior em outubro de 2024, após identificar irregularidades. Um novo certame foi aberto em janeiro de 2025, com candidaturas encerradas a 14 de março. Apesar disso, as suspeitas persistem, reforçadas pelo passado da CIF, que sob gestão chinesa teve parte da produção desviada para a República Democrática do Congo (RDC), onde o cimento rendia até dez vezes mais.
O Futuro da CIF
A fábrica de cimento é vista como estratégica para o mercado angolano, mas sua recuperação exige um gestor capaz de aumentar a produtividade e estabilizar preços. “A CIF precisa de uma gestão séria, que gere valor para o país”, afirma a fonte. A capacidade da Grinner para cumprir esse papel é questionada, enquanto o desfecho do concurso permanece incerto. JPA
