A Federação Angolana de Futebol (FAF) anunciou hoje, sexta-feira, 11 de Julho de 2025, um conjunto de medidas inéditas destinadas a reforçar a transparência e dignificar a profissão de treinador no país. A decisão, tomada durante uma reunião com representantes de clubes e técnicos, foi apresentada como um passo crucial na direcção da profissionalização efectiva do futebol angolano.
O presidente da FAF, Alves Simões, revelou que, a partir de agora, todos os contratos entre clubes e treinadores terão de ser obrigatoriamente validados e selados pela federação antes de entrarem em vigor. Além disso, foi também estabelecido um salário mínimo nacional para a categoria, equivalente a três vezes o ordenado-base vigente no país.
“Queremos pôr fim aos abusos e garantir maior segurança jurídica aos nossos treinadores. Um técnico não pode continuar a ser visto apenas como uma solução passageira,” afirmou Simões, sob forte aplauso dos presentes no encontro.
Contratos regulamentados pela FAF
A nova norma impõe que nenhum contrato seja considerado válido sem a chancela da federação. Esta medida surge como resposta à informalidade que tem marcado as relações laborais no futebol angolano, onde muitos treinadores actuavam sem qualquer registo formal, sujeitos a rescisões unilaterais e atrasos nos vencimentos.
A FAF compromete-se ainda a criar um sistema de monitorização dos contratos, bem como a aplicar sanções administrativas contra os clubes que descumprirem as regras estabelecidas. “Este é um momento histórico. Vamos acabar com o amadorismo nas relações de trabalho,” sublinhou o presidente da federação.
Salário mínimo traz estabilidade e responsabilidade
Outra novidade significativa é a definição de um salário mínimo para treinadores, fixado em três salários mínimos nacionais. Para a classe técnica, esta é uma vitória há muito reivindicada, que promove maior equidade e reconhecimento profissional. Por outro lado, exige-se dos clubes mais rigor na gestão financeira, já que os orçamentos terão de ser ajustados para suportar essa nova realidade.
“É uma mudança ousada, mas necessária. Não podemos aceitar que treinadores sejam contratados por três meses e demitidos ao primeiro mau resultado,” disse um dos técnicos presentes na reunião.
As medidas têm sido recebidas com entusiasmo por grande parte da comunidade futebolística angolana. Considera-se que este novo quadro legal possa servir de exemplo para outras modalidades desportivas no país, contribuindo para a modernização e profissionalização do desporto nacional.
Porém, alguns clubes alertam para os desafios que enfrentarão na adaptação às exigências financeiras e administrativas impostas pelas mudanças. Muitas equipas lutam diariamente com dificuldades orçamentárias, o que torna essencial o apoio da federação e do Estado ao sector.
Com estas alterações, a FAF dá um passo importante na construção de um ambiente mais estável e credível no futebol angolano. A expectativa é que as medidas tragam benefícios tanto para os profissionais envolvidos — treinadores, jogadores e dirigentes — quanto para os milhões de adeptos que acompanham o desporto-rei com paixão.
“Agora, o futuro do nosso futebol começa a ser escrito com mais seriedade e respeito,” concluiu Alves Simões.
Fonte: Correio da Kianda
