O Fundo Soberano de Angola (FSDEA) apresentou resultados contraditórios no primeiro semestre de 2025, com os activos a crescerem para 4,187 mil milhões de dólares, mas os passivos a deteriorarem-se significativamente, disparando 335,2% face ao período homólogo.
Segundo dados analisados pelo Valor Económico, o passivo do fundo fechou o semestre em 15,117 milhões de dólares, comparado aos 3,473 milhões do mesmo período do ano anterior. Esta deterioração interrompe uma tendência de melhoria que se mantinha há cerca de dois anos.
Novos Passivos Financeiros Impulsionam Crescimento
Na origem deste aumento estiveram os ‘passivos financeiros ao justo valor através de resultados’, que totalizaram 6,665 milhões de dólares e apareceram pela primeira vez como novos passivos neste semestre. Os ‘outros passivos’ registaram também um incremento substancial de 171,5%, subindo de 3,033 milhões para 8,235 milhões de dólares.
A única redução verificou-se na rubrica ‘valores a pagar’, que decresceram de 441 mil dólares para 217 mil dólares.
Activos Impulsionados por Instrumentos Financeiros
Do lado positivo, os activos do FSDEA cresceram 296,190 milhões de dólares em relação ao semestre homólogo, atingindo os 4,187 mil milhões de dólares. Este crescimento foi principalmente impulsionado pelos ‘activos financeiros ao justo valor através de resultados’ (1,741 mil milhões de dólares) e pelos ‘valores a receber do Estado’ (1,433 mil milhões de dólares).
As aplicações de liquidez (159,090 milhões de dólares) e os investimentos em subsidiárias e participadas (694,132 milhões de dólares) também contribuíram para o desempenho positivo dos activos.
Lucros Sobem 137% Apesar de Custos Operacionais Elevados
Os capitais próprios do fundo elevaram-se 7,2% para 4,172 mil milhões de dólares, enquanto o resultado líquido teve uma subida notável de 137,19%, fixando-se nos 187,955 milhões de dólares.
A administração do fundo, liderada por Armando Manuel, justifica estes lucros com o bom desempenho dos instrumentos financeiros de dívida e capital nos mercados internacionais.
“O bom desempenho dos mercados financeiros no primeiro semestre de 2025 resultou de uma combinação de factores que, apesar de um início turbulento, sustentaram uma trajectória de recuperação e crescimento”, explica a administração.
Volatilidade dos Mercados Americanos Marca Semestre
Segundo a gestão do FSDEA, após a imposição inesperada de tarifas comerciais pelo governo Trump em Abril, os principais índices bolsistas como o S&P 500 e Dow Jones sofreram quedas acentuadas. Contudo, “a suspensão temporária dessas tarifas foi suficiente para provocar uma rápida reversão das perdas, levando o S&P 500 a recuperar os ganhos do ano já em meados de Maio e a atingir máximos históricos no final de Junho”.
Custos Operacionais em Alta
Os custos operacionais do fundo registaram aumentos significativos no período. Os gastos com pessoal subiram 45%, de 1,859 milhões para 2,696 milhões de dólares, enquanto os gastos gerais administrativos tiveram um incremento ainda maior de 49,2%, fixando-se em 3,184 milhões de dólares.
Fonte: Valor Económico
