O Presidente da República de Angola e Presidente em exercício da União Africana, João Lourenço, discursou hoje na abertura da 4ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, realizada em Sevilha, Espanha. Representando os países africanos, Lourenço destacou a importância de infraestruturas sólidas e de uma reforma no sistema financeiro global para impulsionar o desenvolvimento do continente.
No seu discurso, o Presidente enfatizou que “não haverá desenvolvimento no continente africano sem infraestruturas sólidas e funcionais”. Ele apontou a escassez de energia eléctrica, a fraca rede de estradas e o baixo investimento em telecomunicações como obstáculos ao crescimento económico, ao comércio, à indústria e à criação de empregos em África.
Lourenço alertou para os desafios globais, como a crise da dívida soberana, choques climáticos e a erosão da confiança no sistema multilateral, que limitam a capacidade dos países em desenvolvimento de financiar o progresso. “A dívida consome mais recursos do que os destinados à saúde e à educação em conjunto”, afirmou, defendendo a necessidade de mecanismos multilaterais de reestruturação da dívida mais justos e transparentes, conforme proposto na Declaração de Lomé sobre a Dívida Africana, adoptada em Maio de 2025.
O Presidente também destacou a importância da paz e da segurança para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas e da Agenda 2063 da União Africana. Ele criticou a actual corrida armamentista, que desvia recursos financeiros e científicos da educação, formação e investigação, essenciais para o bem-estar global.
Conferência de Infraestruturas em Angola
João Lourenço anunciou que Angola acolherá, em Outubro, uma conferência da União Africana subordinada ao tema “Infraestruturas como Factor de Desenvolvimento em África”. O evento visa atrair parceiros internacionais e mobilizar recursos para investimentos em infraestruturas, com foco em parcerias público-privadas que promovam benefícios mútuos.
Financiamento Climático e Tributação Internacional
O Presidente sublinhou a vulnerabilidade de África às mudanças climáticas, apesar de o continente ser um dos menos responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa. Ele apelou a um aumento significativo do financiamento climático para adaptação, mitigação e transição energética justa, além de incentivos para converter dívidas em acções ambientais.
Lourenço também defendeu a Convenção das Nações Unidas sobre Tributação Internacional, que visa corrigir desequilíbrios no sistema fiscal global e garantir maior representação dos países em desenvolvimento nas decisões fiscais.
A Conferência em Sevilha
A 4ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, organizada pela ONU, reúne dezenas de Chefes de Estado, de Governo e cerca de 10 mil representantes da sociedade civil. O evento discute estratégias para tornar o financiamento ao desenvolvimento mais eficaz e mobilizar fundos para os países mais necessitados, em prol do progresso e do bem-estar das suas populações.
João Lourenço concluiu o seu discurso com um apelo à criação de um novo modelo de financiamento baseado na justiça económica e na inclusão, que permita a África acelerar a sua transformação e contribuir para uma economia global mais forte.
