Presidente da República reafirma compromisso de Angola com a autonomia sanitária do continente durante reunião do África CDC em Nova Iorque

O Presidente da República de Angola, João Lourenço, que exerce também a presidência da União Africana, defendeu ontem uma visão pan-africana para a soberania sanitária do continente, anunciando o investimento angolano de 5 milhões de dólares no Fundo Africano para Epidemias.

Durante a reunião do Comité de Chefes de Estado e de Governo do África CDC, realizada à margem da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o líder angolano sublinhou que “África deve produzir pelo menos 60% dos produtos de saúde que consome até 2040”.

Aposta na produção local

João Lourenço enfatizou que a dependência histórica do continente na importação de vacinas e medicamentos cria “vulnerabilidades e atrasos no acesso em tempos de crise”. Para contrariar esta realidade, defendeu o reforço das capacidades de produção local como pilar estratégico para o desenvolvimento africano.

“Ao investir na capacidade de produção local, podemos não só garantir um abastecimento constante de produtos de saúde essenciais, mas também criar oportunidades de emprego e impulsionar o crescimento económico”, afirmou o Presidente da República.

Iniciativas angolanas destacadas

No discurso, João Lourenço destacou os progressos de Angola na área farmacêutica nacional, referindo a “transferência de tecnologia e produção nacional de uma diversa gama de medicamentos essenciais” através da mobilização do sector privado.

O chefe de Estado mencionou ainda o lançamento da primeira pedra para a construção do Laboratório Nacional de Controlo de Qualidade de Medicamentos, que “vai garantir que os medicamentos produzidos no país cumpram os padrões internacionais de qualidade”.

Preparação para emergências sanitárias

Relativamente às capacidades de resposta a emergências, o Presidente revelou que Angola está a finalizar a instalação de um laboratório de biossegurança de Nível 3 e de um Centro Nacional e seis Centros provinciais de Operações de Emergência de Saúde Pública.

“Prevê-se, até 2026, a criação de mais 15 para as restantes províncias, cobrindo assim todo o país”, anunciou João Lourenço, acrescentando que o reforço da comunicação de risco está a ter “um impacto positivo no controlo da cólera que atualmente assola o país”.

Compromisso continental

O líder angolano reafirmou que Angola, juntamente com a República Democrática do Congo, já investiu os 5 milhões de dólares prometidos no Fundo Africano para Epidemias, apelando a outros líderes africanos para que sigam o exemplo.

“O Fundo Africano para Epidemias é mais do que um instrumento financeiro; é uma afirmação política, representa a determinação de África em assumir a responsabilidade pelas suas próprias emergências”, declarou.

Desafios climáticos e sanitários

João Lourenço alertou também para a relação entre as mudanças climáticas e a saúde pública, referindo que “as inundações, secas e fenómenos extremos já estão a desencadear surtos de cólera, malária e outras doenças” em África.

O Presidente concluiu reafirmando que “a saúde está no centro da Agenda Africana de desenvolvimento humano, da soberania e de uma parceria continental transformadora”, garantindo que Angola permanece “firme e comprometida com este esforço continental”.

A reunião contou com a participação de diversos chefes de Estado africanos, ministros e representantes de organizações internacionais, consolidando o papel do África CDC como agência técnica especializada da União Africana para a coordenação da saúde pública continental.

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