O stock de investimento de Angola em Portugal registou um crescimento robusto de 34% em 2024, atingindo os 3.096 milhões USD, de acordo com dados recentes do Banco Nacional de Angola (BNA). O fenómeno, impulsionado pelo reinvestimento de lucros da Sonangol e pela crescente aquisição de imóveis por cidadãos nacionais naquela que é considerada a “terceira vaga migratória”, coloca as terras lusas como o destino de 56% de todo o capital angolano aplicado no estrangeiro.

A análise aos dados da Balança de Pagamentos e Posição do Investimento Internacional revela uma concentração acentuada de activos em território português. Enquanto a carteira global de investimentos de Angola fora do País cresceu apenas 120 milhões USD, fixando-se nos 5.445 milhões USD, o peso de Portugal no “bolo” total saltou significativamente. Este crescimento de 790 milhões USD em activos domiciliados em Portugal contrasta com a queda acentuada em outras jurisdições.

Segundo especialistas do sector, este movimento é explicado por dois eixos centrais:

  • Reinvestimento Corporativo: A Sonangol tem canalizado lucros obtidos em operações internacionais para reforçar a sua posição em solo português.

  • Vaga Migratória e Imóveis: O fluxo de angolanos que buscam residência em Portugal tem alimentado a compra directa de património imobiliário, consolidando o stock de investimento privado.

Transparência e fluxos geográficos

O relatório do BNA identifica especificamente cinco destinos principais para o capital nacional: Portugal (incluindo a praça financeira da Madeira), Maurícias (com um crescimento de 70 milhões USD), Ilha de Man (que registou uma ligeira queda de 4 milhões USD), São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.

Um dado relevante aponta para a redução da categoria “Outros”. Houve uma queda de 733 milhões USD em investimentos cujos destinos não foram especificados pelo banco central, o que sugere uma maior catalogação ou migração de fluxos para os mercados já identificados, nomeadamente o português.

É importante notar que este Investimento Directo Estrangeiro (IDE) assume diversas formas, desde instrumentos de dívida e concessão de créditos comerciais até à aquisição de títulos emitidos por empresas locais. Embora o stock global tenha crescido, a opacidade em torno de 23% da carteira total (classificada como “Outros”) ainda limita uma aferição plena sobre a totalidade do rasto financeiro angolano no exterior.

Fonte: Jornal Expansão 

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