As principais empresas de distribuição de combustíveis afirmam não ter interesse em abrir novos postos de abastecimento (PAs) nos municípios criados com a nova divisão político-administrativa, alegando baixa rentabilidade, má condição das vias de acesso e altos custos logísticos.

Segundo Alice Simões, directora dos Serviços Corporativos da Sonagalp, os novos territórios enfrentam desafios estruturais que inviabilizam operações economicamente viáveis. “Num desses municípios, um posto vende em média entre 60 e 100 metros cúbicos por mês um volume claramente insuficiente para cobrir custos. Além disso, muitos estão a centenas de quilómetros dos centros de enchimento, o que torna o transporte do produto extremamente caro”, justifica.

A posição é partilhada por representantes da Total Energies, Etu Energias e Pumangol, durante a apresentação do balanço do sector dos derivados do petróleo referente ao terceiro trimestre de 2025.

Sonangol e Pumangol avançam com plano para cobertura nacional até 2030

Apesar da relutância do sector privado, a Sonangol Distribuição e Comercialização anunciou uma estratégia de expansão até 2030 para garantir o abastecimento em todo o território nacional. O plano prevê a construção de postos de baixo custo nos municípios com procura reduzida e de postos de raiz nas zonas de maior demanda.

“Estamos a desenhar uma abordagem faseada e sustentável, com soluções adaptadas à realidade de cada localidade”, afirmou Ernesto Baptista, director da Sonangol D&C, acrescentando que a Pumangol seguirá caminho semelhante.

Antes da reforma administrativa, que elevou o número de municípios de 162 para 326, cerca de 45 municípios não tinham qualquer posto de combustível. O Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP) ainda não actualizou os seus dados estatísticos para reflectir o novo quadro territorial.

Escassez persiste devido à dependência das importações

Além dos desafios de cobertura geográfica, o sector enfrenta escassez recorrente de combustíveis, agravada pela dependência das importações — que representam mais de 70% do consumo nacional.

No terceiro trimestre de 2025, o país gastou 709,32 milhões de dólares em importações de derivados do petróleo. Apesar de a refinaria de Luanda ter contribuído com 29% do abastecimento e a Cabgoc (Toping de Cabinda) com apenas 1%, a Sonangol admite que a falta de divisas limita a capacidade de importar volumes suficientes para satisfazer a procura.

“Estamos a gerir de forma apertada, com autonomia de apenas sete dias a nível nacional. Já activámos planos de contingência para garantir o abastecimento durante a quadra festiva”, revelou Baptista.

Embora tenham sido comercializadas 1,2 milhões de toneladas métricas de combustíveis no trimestre um aumento de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior, operadores do sector consideram o volume insuficiente para atender a procura crescente.

Dominância do sector privado nos postos de abastecimento

Dos 1.204 postos de abastecimento registados no país, 920 estão operacionais. Destes, 402 (43,7%) pertencem a agentes privados sem bandeira os chamados postos de bandeira branca.

A Sonangol D&C detém 315 postos (34,2%), seguida pela Pumangol (83 postos, 9%), Sonagalp (63 postos, 7%), Total Energies (53 postos, 5,8%) e Etu Energias (apenas 3 postos, 0,3%). Outros 284 postos encontram-se inoperantes, muitos deles por falta de fornecimento regular de combustível.

Fonte: Valor Económico

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