Israel e os Estados Unidos atacaram nesta quarta-feira a refinaria de gás South Pars, no sul do Irão, a maior instalação do género no mundo, provocando um incêndio de grandes proporções. O ataque, que ocorre na terceira semana de conflito armado entre as duas potências e Teerão, atingiu a infraestrutura responsável por 70% do fornecimento de gás natural consumido no país persa. As autoridades iranianas confirmaram o envio de equipas de bombeiros ao local, situado na cidade portuária de Kangan, província de Bushehr.
Segundo a televisão estatal iraniana, citando o vice-governador da província de Bushehr, “algumas partes das instalações de gás” foram atingidas por “projéteis do inimigo americano-sionista”. O canal oficial não revelou o número de vítimas nem a extensão exacta dos danos materiais, mas confirmou que o fogo continua activo no complexo.
A refinaria South Pars integra o maior campo de gás natural conhecido no mundo — South Pars/North Dome —, partilhado entre o Irão e o Qatar. O Irão explora o campo desde o final da década de 1990, e a instalação é considerada vital para a segurança energética nacional.
Escalada de violência no Médio Oriente
Este não é o primeiro ataque à refinaria. Israel já havia atingido a mesma instalação durante uma ofensiva de 12 dias em Junho de 2025. Contudo, a actual escalada de violência teve início a 28 de Fevereiro último, quando Israel e os Estados Unidos lançaram uma operação militar conjunta contra alvos iranianos, resultando na morte do líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, no primeiro dia de combates.
Desde então, o conflito alastrou-se a toda a região do Médio Oriente, envolvendo milícias aliadas do Irão no Líbano, Síria, Iraque e Iémen, e aumentando os receios de uma guerra de proporções regionais com impacto global nos mercados de energia.
Implicações energéticas e geopolíticas
A destruição ou paralisação prolongada da refinaria South Pars pode ter consequências severas para o abastecimento interno de gás no Irão e impactar os preços internacionais de energia, especialmente na Europa e Ásia, dependentes das rotas de exportação do Golfo Pérsico.
Até ao momento, nem Israel nem os Estados Unidos emitiram declarações oficiais sobre o ataque. O Governo iraniano, por sua vez, prometeu “resposta proporcional” às agressões, segundo comunicado divulgado pela agência oficial IRNA.
Fonte: Lusa
