A firma de auditoria PwC foi multada em 1,3 mil milhões de dólares de Hong Kong (aproximadamente 130,6 mil milhões de kwanzas) e proibida de aceitar novos clientes durante seis meses, após a Comissão de Valores Mobiliários e Futuros (SFC) de Hong Kong concluir que a empresa cometeu “graves violações dos deveres profissionais de auditoria” nas contas da construtora chinesa Evergrande, referentes aos anos de 2019 e 2020. A decisão, anunciada esta quarta-feira, marca uma das sanções mais severas aplicadas a uma das chamadas “Big Four” da auditoria global.

Proibição de seis meses e compensações milionárias

Para além da multa aplicada pela SFC, o Conselho de Relato Financeiro e Contabilidade (AFRC) de Hong Kong impôs à PwC uma proibição de seis meses para aceitar novos clientes de auditoria, classificando as falhas identificadas como “particularmente graves”.

Dois antigos sócios da firma foram também multados em 10 milhões de dólares de Hong Kong (920 milhões de kwanzas) por irregularidades nas auditorias realizadas.

Segundo informações divulgadas pela SFC, a operação da PwC em Hong Kong comprometeu-se a reservar mil milhões de dólares de Hong Kong (aproximadamente 100,3 mil milhões de kwanzas) destinados a compensar os acionistas minoritários da Evergrande, que foram diretamente afetados pelo colapso financeiro da construtora.

O incumprimento financeiro da Evergrande, em 2021, desencadeou uma das maiores crises de liquidez no setor imobiliário chinês, conhecido pelo elevado endividamento. O impacto desta crise reverberou por toda a economia da China, onde grande parte da riqueza das famílias está concentrada em ativos imobiliários.

Reguladores chineses concluíram, em 2024, que a operação da PwC na China continental “ocultou ou até tolerou” práticas fraudulentas da Evergrande nos anos anteriores ao colapso, agravando significativamente as consequências financeiras e reputacionais para a auditora.

PwC reconhece falhas e assume responsabilidade

Em comunicado oficial, a PwC China reconheceu que o seu trabalho nas auditorias à Evergrande “ficou muito aquém” das suas próprias expectativas e das expectativas das partes interessadas. A empresa considerou que a resolução destes processos regulatórios “é um passo importante” para restabelecer a confiança no mercado e no seu trabalho.

A sanção aplicada em Hong Kong junta-se a uma série de medidas regulatórias tomadas por autoridades chinesas e internacionais, refletindo a crescente pressão sobre as firmas de auditoria para garantirem rigor, transparência e responsabilidade no exercício das suas funções.

Fonte: Jornal Económico

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