As instituições bancárias garantiram apenas 1.831 milhões de dólares em divisas nos primeiros dois meses de 2026, o que representa uma queda homóloga de 5% (menos 91 milhões de dólares) face ao mesmo período de 2025. Os dados, apurados pelo Expansão com base nas informações oficiais do Banco Nacional de Angola (BNA), reflectem as dificuldades persistentes no mercado cambial e afectam directamente o dia-a-dia das famílias angolanas, que dependem da disponibilidade de moeda estrangeira para a importação de bens essenciais, desde alimentos a medicamentos, em Luanda, Cabinda ou Huíla.

Em Fevereiro, o montante caiu para 841,5 milhões de dólares – o valor mais baixo dos últimos 19 meses. Apesar desta contracção, o kwanza apreciou ligeiramente 0,02% face ao dólar norte-americano, passando de 912,3 Kz no final de Dezembro de 2025 para 912,1 Kz a 28 de Fevereiro.

Sector petrolífero continua a dominar, mas com menos entradas

A maior fatia das divisas continua a vir do sector petrolífero, que contribuiu com 786,1 milhões de dólares entre Janeiro e Fevereiro – menos 113,8 milhões de dólares do que no período homólogo.

Esta redução no principal motor da economia nacional chega num momento em que o país ainda sente os efeitos da volatilidade dos preços do barril no mercado internacional.

Pelo lado positivo, os clientes diversos – onde se incluem os clientes bancários – venderam mais 125 milhões de dólares à banca do que em 2025.

Em contrapartida, o Tesouro Nacional reduziu as vendas em 16%, para 310 milhões de dólares (menos 59,3 milhões). O sector diamantífero, quarto maior fornecedor, caiu 26%, para apenas 177,2 milhões de dólares (menos 60,8 milhões).

O próprio BNA disponibilizou 352 milhões de dólares à banca – mais do dobro do valor registado no primeiro bimestre de 2025.

No total, a venda de divisas à banca encolheu 91,2 milhões de dólares. Mesmo assim, o kwanza não desvalorizou.

Persiste, contudo, um backlog (diferença entre a procura dos bancos e o que conseguem adquirir no mercado) de 1,2 mil milhões de dólares. Num regime cambial verdadeiramente flexível, esta diferença deveria traduzir-se numa forte depreciação do kwanza.

Segundo o BNA, a taxa de câmbio resulta de leilões no mercado interbancário, definidos pela oferta e pela procura. Quando a procura supera a oferta, o kwanza tende a depreciar; quando a oferta é maior, aprecia – como aconteceu em 2022, com o barril acima dos 100 dólares.

Fonte: Jornal Expansão 

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