A Administração Geral Tributária (AGT) garante que, graças a mecanismos avançados — incluindo ferramentas com recurso à inteligência artificial —, tornou-se tecnicamente impossível para qualquer funcionário desviar verbas de impostos já pagos ao Estado. A afirmação foi feita esta terça-feira, 5 de Maio de 2026, pelo presidente do Conselho de Administração da AGT, José Leiria, durante entrevista ao programa Café da Manhã, da Rádio LAC.
Leiria explicou que, após o escândalo conhecido como “100 mil milhões”, a instituição reforçou os seus sistemas de controlo interno e passou a detectar tentativas de fraude em tempo real. “Desde então, identificámos apenas três casos suspeitos — todos eles travados pelos nossos próprios mecanismos preventivos”, afirmou.
Dois desses casos já foram reportados aos órgãos competentes. Um deles ocorreu no Cunene e está relacionado com trânsito aduaneiro, envolvendo uma fraude estimada em 30 milhões de kwanzas. O outro caso, mais grave, diz respeito a um contribuinte que tentou burlar o fisco numa operação avaliada em 1,4 mil milhões de kwanzas. Ambos os processos foram encaminhados ao Serviço de Investigação Criminal (SIC) e à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo o PCA da AGT, a instituição dispõe agora de uma arquitectura tecnológica robusta, ancorada na Referência Única de Pagamento ao Estado (RUPE), que liga directamente todos os pagamentos à Conta Única do Tesouro. “Não há espaço para manipulação manual. O dinheiro entra directamente nas contas do Estado, sem intermediários”, sublinhou Leiria.
Apesar dos episódios anteriores, o conselho de administração assegura que a credibilidade da AGT permanece intacta junto dos contribuintes. “Somos uma instituição viva, atenta ao detalhe e comprometida com a transparência. Os nossos sistemas não só detectam fraudes, como também aprendem com elas”, concluiu.
Fonte: Novo Jornal
