A Sonangol recebeu 277 milhões de euros em dividendos provenientes das suas participações no Banco Comercial Português (BCP) e na petrolífera Galp, tornando-se um dos principais beneficiários da época de distribuição de lucros na bolsa de Lisboa. O valor integra um fluxo superior a mil milhões de euros destinado a investidores estrangeiros, num ano em que o índice PSI registou a maior valorização desde 2009, aproximando-se dos 30%.

No total, 21 empresas cotadas portuguesas — 15 do PSI e seis do PSI Geral — distribuirão 3,14 mil milhões de euros aos acionistas, referentes aos lucros do ano passado. Deste montante, 1,07 mil milhões de euros (34% do total) destinam-se a investidores estrangeiros, uma percentagem inferior aos 39% registados no ano anterior.

A redução explica-se pela diminuição de pequenas participações de grandes fundos internacionais nas empresas portuguesas. Contudo, Angola e China concentram 59% do montante que sai do país: os investidores chineses recebem a maior fatia, no valor de 356 milhões de euros, enquanto a Sonangol fica com 277 milhões.

Programa de recompra pode aumentar ganhos da Sonangol

A petrolífera angolana poderá ainda beneficiar adicionalmente do programa de recompra de acções da Galp, no valor de até 250 milhões de euros, em curso desde o início de março. Esta operação pode representar ganhos adicionais para a estrutura de investimentos da empresa estatal.

Os acionistas chineses, presentes no BCP, EDP, Mota-Engil e REN, têm visto crescer gradualmente os dividendos recebidos. No BCP, do qual a Fosun detém 20,45%, está ainda previsto um programa de recompra de acções que deverá rondar os 407 milhões de euros. A distribuição de 90% dos lucros deverá tornar-se regra caso as propostas do conselho de administração sejam aprovadas em assembleia geral.

Fundos internacionais também entre os beneficiários

Entre os grandes fundos internacionais, a BlackRock — com posições superiores a 2% no BCP, EDP, Galp e Jerónimo Martins — é a gestora que mais encaixa, com 162 milhões de euros. A Vanguard receberá 56,7 milhões, enquanto a Massachusetts Financial Services e a Fidelity receberão cerca de 20 e 17 milhões, respetivamente.

O fundo soberano da Noruega, que em 2024 registou a maior exposição de sempre ao mercado acionista, receberá 48,3 milhões de euros apenas pela sua participação na EDP.

Maior parte dos dividendos permanece em Portugal

Ainda assim, a maior parte dos dividendos permanece em Portugal, distribuída entre acionistas nacionais e pequenos investidores com participações inferiores a 2%. No PSI Geral, seis empresas — Glintt Global, Martifer, Media Capital, Ramada, Sonaecom e Toyota Caetano — reforçam esse fluxo interno, dado que os seus principais acionistas são portugueses.

Fonte: Líder Magazine

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