O Presidente da República, João Lourenço, decretou Luto Nacional para o dia 22 de Maio de 2026 (sexta-feira), em memória das vítimas dos conflitos políticos ocorridos entre irmãos angolanos no período de 11 de Novembro de 1975 a 04 de Abril de 2002. Em mensagem à nação, o Chefe de Estado anunciou que, nesta data, serão entregues centenas de restos mortais aos respectivos familiares, numa cerimónia que visa consolidar a reconciliação nacional e promover a cura das “feridas profundas” deixadas por momentos dramáticos da história do país. A iniciativa enquadra-se no trabalho da Comissão Interministerial das Vítimas dos Conflitos Políticos, criada pelo Executivo para promover a transparência histórica e a dignidade das vítimas.

“Perdoar e abraçar é o caminho certo para nos erguermos como Nação reconciliada”

Na mensagem dirigida aos angolanos, João Lourenço reconheceu que Angola “viveu momentos dramáticos da sua história que deixaram feridas profundas”, mas sublinhou que o país tem sabido tratar essas feridas “no quadro da Paz e da Reconciliação Nacional que se vem consolidando ao longo dos últimos 24 anos”.

“Perdoar e abraçar é o caminho certo para nos erguermos como Nação reconciliada, pronta a dedicar-se à grande missão do desenvolvimento económico e social, pela prosperidade e bem-estar dos angolanos e a de fazer de Angola um grande país”, afirmou o Presidente da República.

O Chefe de Estado recordou a criação da Comissão Interministerial das Vítimas dos Conflitos Políticos entre irmãos angolanos, que abrange o período de 11 de Novembro de 1975 (data da independência nacional) a 04 de Abril de 2002 (assinatura do Memorando de Entendimento de Luena, que pôs fim à guerra civil).

Desde a sua criação, a Comissão já entregou, em cerimónias solenes públicas, “um certo número de ossadas de restos mortais de cidadãos mortos no quadro desses conflitos, para a realização de funerais dignos”, segundo o Presidente.

“Na sequência do que já vem sendo feito, desta vez serão entregues centenas de restos mortais aos respectivos familiares”, anunciou João Lourenço.

O Presidente da República defendeu que “a paz e a reconciliação entre os angolanos, o perdão e o abraço de irmãos, só são genuínos se assentarem na transparência, no assumir por todos do passivo negativo da nossa história”.

“Sem necessidade de esconder ou apagar a verdade dolorosa dos factos, tudo deve ser feito para que nunca mais aconteça qualquer tipo de conflito étnico, religioso ou político em solo angolano, que leve ao sofrimento ou ameace a integridade física e a vida dos angolanos”, declarou.

João Lourenço sublinhou que “falar dos horrores dos conflitos ocorridos naquela altura deve deixar de ser um tabu”, não para “tocar na ferida e torná-la ainda mais dolorosa”, nem para “apontar o dedo a presumíveis actores”, mas para garantir que “a responsabilidade de tudo fazer para eliminar definitivamente qualquer possibilidade de aquela tragédia algum dia poder se repetir, é de todos nós”.

“Pelo elevado número de vítimas e o consequente impacto que a cerimónia que se vai realizar terá na nossa sociedade, decidi decretar Luto Nacional de um dia em todo o território nacional para Sexta Feira 22 de Maio do corrente ano, em memória de todas as vítimas dos conflitos”, anunciou o Presidente da República.

Durante o dia de Luto Nacional, espera-se que decorram cerimónias de homenagem às vítimas e de entrega de ossadas aos familiares, num processo que visa promover a dignidade humana, a justiça transicional e a memória histórica.

“Nosso propósito comum é restaurar a nossa nação e curar nossas feridas”

João Lourenço concluiu a mensagem à nação com um apelo à unidade nacional e à construção de um futuro colectivo assente na paz e no desenvolvimento:

“Nosso propósito comum é o de restaurar a nossa nação, curar nossas feridas e renovar nossa esperança. Este é um convite à humildade, ao arrependimento e ao perdão, para o fortalecimento da nossa identidade como nação próspera e abençoada.”

O Presidente transmitiu ainda, “em nome do Estado angolano”, uma “palavra de encorajamento e conforto a todas as famílias atingidas por esta tragédia”.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *