Enquanto os principais bancos privados angolanos reforçaram significativamente a sua base de clientes nos últimos cinco anos, o Banco de Poupança e Crédito (BPC) registou a única perda líquida entre os bancos sistémicos, passando de mais de 3,063 milhões de clientes em 2021 para cerca de 2,845 milhões em 2025.

De acordo com dados compilados pelo Valor Económico a partir dos relatórios e contas das instituições, o BPC perdeu 7,1% da sua clientela, o equivalente a cerca de 217,9 mil contas. Este movimento contrasta com o crescimento robusto verificado nos bancos privados, que continuam a expandir a bancarização no país.

A redução da base de clientes do BPC coincide com o processo de recapitalização e reestruturação implementado entre 2019 e 2023, no âmbito do Plano de Recapitalização e Reestruturação (PRR). Durante este período, a instituição encerrou 145 agências, reduzindo a rede comercial de 391 para 246 unidades de negócio.

A diminuição da presença física do BPC afectou especialmente populações em províncias onde a instituição era tradicionalmente a principal referência bancária. Muitos clientes, habituados ao modelo de “banco dos funcionários públicos”, enfrentaram maiores dificuldades de acesso a serviços presenciais, num contexto marcado por reformas no sector público e atrasos salariais em alguns organismos.

No mesmo período, os bancos privados intensificaram a aposta na digitalização e na abertura de novas agências, conquistando tanto novos clientes como parte do segmento tradicional do BPC.

Evolução dos principais bancos privados

O Banco Angolano de Investimentos (BAI) registou o maior crescimento relativo, com +77,3%, passando de 1,608 milhões para 2,853 milhões de clientes. O Millennium Atlântico cresceu 60,8% e lidera actualmente o ranking dos bancos sistémicos com cerca de 3,7 milhões de clientes em 2025.

O BFA avançou 48,1% e o Banco BIC registou um crescimento de 23,9%, atingindo 2,211 milhões de clientes. Estes números demonstram a capacidade dos bancos privados de captar novos utilizadores num mercado que continua a expandir-se.

Apesar da contração da base de clientes, o BPC tem registado nos últimos anos ligeiras recuperações anuais (até 1,5%), resultado da estratégia de desalavancagem, redução de riscos e optimização de custos. A instituição continua a ser um dos principais actores do sistema financeiro nacional, com peso relevante no crédito à economia real.

Fonte: Valor Económico

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