A Sonangol encerrou o exercício de 2025 com um lucro líquido de 946 milhões de dólares, um crescimento de 17,2% face ao período anterior, contrariando as recentes teses que apontavam para um suposto declínio da petrolífera estatal. Em entrevista exclusiva, a administração da empresa garantiu que os números, auditados externamente, reflectem uma transformação estratégica que não só blinda a economia nacional contra a volatilidade do petróleo, como avança a passos largos rumo à autossuficiência de combustíveis e à transição energética.
Apesar do cenário internacional adverso, marcado por uma quebra de cerca de 14% no preço médio do barril de crude, a empresa apresentou o fecho de contas mais rápido da última década. Os resultados, tornados públicos em Março de 2026, serviram de resposta directa a um conjunto de especulações que, nos últimos meses, tentaram retratar a companhia como uma entidade em dificuldades financeiras.
Instado pelo Jornal de Angola sobre o tema, Dionísio Rocha Júnior, Director de Comunicação, Marca e Responsabilidade Social da Sonangol, foi peremptório ao classificar as críticas como uma “narrativa de crise que não resiste aos factos”.
“O que alguns insistem em chamar de declínio das operações petrolíferas é, na realidade, uma transformação estratégica sustentável e alinhada com as melhores práticas globais do sector energético”, sublinhou o responsável, alertando para os riscos da desinformação: “Confundir evolução com declínio também é uma forma de desinformação”.
A empresa explica que a diversificação de receitas — deixando de depender quase exclusivamente da venda bruta de petróleo — é uma tendência global das grandes majors para garantir estabilidade a longo prazo.
Hoje, uma parte significativa dos lucros da petrolífera provém de dividendos, participações estratégicas e serviços de gestão. Segundo Dionísio Rocha Júnior, “este posicionamento permite reduzir os riscos associados às oscilações do preço do petróleo e fortalecer a capacidade de investir em sectores fundamentais para o desenvolvimento de Angola”.
O Conselho Fiscal da empresa corroborou esta visão, destacando num parecer recente que a resiliência demonstrada em 2025 prova que o Grupo sabe gerar valor mesmo em contextos macroeconómicos hostis.

Fim dos “achismos” e rigor na auditoria

Num país onde a transparência na gestão da coisa pública é uma exigência crescente, a Sonangol aponta para uma nova era de rigor no relato financeiro. O director destacou que os processos de fecho de contas recentes foram marcados pela eliminação integral de reservas nas unidades core (principais) e uma redução de 90% nas matérias susceptíveis de reserva nas unidades non-core.
“É curioso como alguns preferem interpretar resultados positivos como ameaça. Num sector global volátil, gerar valor através de investimentos e gestão estratégica não é fraqueza, é inteligência corporativa”, afirmou Rocha Júnior, rematando que “a Sonangol continua a provar, com números auditados e não por achismos, que permanece um dos maiores pilares económicos do país”.

Combustíveis e Transição Energética

Mais do que números em balanços financeiros, a estratégia da Sonangol tem impacto directo no dia-a-dia do cidadão angolano. A aposta na refinação local e no armazenamento visa acabar com a dependência externa de derivados, prevenindo ruturas no abastecimento nas estações de serviço.
Em 2025, a empresa garantiu 65,2 milhões de barris de direitos líquidos de produção nacional e exportou 124,7 milhões de barris de crude. No mercado interno, os marcos foram evidentes:
  • Refinaria de Cabinda: Inauguração da primeira fase, com capacidade para 30 mil barris por dia.
  • Refinaria de Luanda: Processamento de um recorde de 17,2 milhões de barris.
  • Armazenamento: A capacidade em terra cresceu 91%, atingindo 1,2 milhões de metros cúbicos, impulsionada pelo Terminal Oceânico da Barra do Dande.
No capítulo das energias limpas, a transição já é uma realidade tangível. A Planta Fotovoltaica de Caraculo, na Huíla, injectou quase 40 mil MWh na rede eléctrica nacional, evitando a emissão de mais de 31 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂). A mobilidade eléctrica deu igualmente o seu primeiro passo em solo angolano, com a inauguração da primeira estação de carregamento de veículos eléctricos no município de Kilamba Kiaxi, em Luanda.
Ao celebrar o seu 50.º aniversário em Fevereiro passado, a Sonangol reafirma, com estes dados, o seu papel não apenas como a maior empresa de Angola, mas como o principal motor de estabilidade financeira, captação de investimento e preparação do país para os desafios energéticos do futuro.

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