Uma cidadã angolana, que viajou para Portugal com a promessa de um contrato de trabalho como ama, foi resgatada na passada sexta-feira pela Polícia Judiciária (PJ) portuguesa, em Oeiras, após ter sido mantida em condições análogas à escravidão. A vítima, atraída por um salário de 920 euros, acabou isolada, sem passaporte e sob constante vigilância da patroa, uma mulher de 48 anos, agora indiciada pelo crime de tráfico de pessoas para fins de exploração laboral.

O que parecia uma oportunidade de mudança de vida na Europa revelou-se um esquema de exploração severa. Segundo os dados apurados, a jovem foi aliciada em Angola para cuidar de uma criança na localidade de Oeiras, arredores de Lisboa. O valor prometido — cerca de 920 euros mensais (equivalente a aproximadamente 870 mil Kwanzas ao câmbio actual) — contrastava fortemente com a realidade salarial no mercado interno, tornando a proposta irresistível.

Contudo, ao chegar ao destino, a realidade foi distinta: a jovem viu-se forçada a acumular todas as tarefas domésticas sem horários definidos, sem contrato formal e com pagamentos irregulares, muito abaixo do acordado.

A gravidade do caso acentuou-se com o isolamento da vítima. De acordo com a Unidade Nacional Contraterrorismo da PJ, a patroa exercia um controlo férreo sobre a jovem, tendo confiscado o seu passaporte e telemóvel. As saídas da residência eram limitadas e os contactos com a família em Angola eram vigiados. A arguida chegou inclusive a copiar o conteúdo do dispositivo electrónico da vítima para monitorizar as suas comunicações.

Intervenção das Autoridades e Medidas de Coacção

O resgate ocorreu no âmbito de uma operação que incluiu mandados de busca domiciliária, onde foi apreendido material relevante para a investigação.

  • Situação da Arguida: A patroa, de nacionalidade portuguesa, foi detida e presente a primeiro interrogatório judicial.

  • Medidas Aplicadas: A suspeita aguarda o desenrolar do processo em liberdade, mas sujeita a apresentações trissemanais às autoridades, proibição de sair do país e obrigação de entregar os seus passaportes (português e angolano).

Fonte: Correio da Manhã

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