O Grupo Carrinho consolidou, nos últimos meses, a sua influência na estrutura de gestão do Banco de Fomento Angola (BFA), logrando a nomeação de dois administradores executivos alinhados com os seus interesses estratégicos. Menos de um ano após a entrada indirecta no capital da instituição, o conglomerado de Benguela — que já controla o BCI e o Banco Keve — prepara agora o reforço da sua posição accionista, avaliando a compra da participação de 33,35% detida pelos portugueses do BPI (CaixaBank) ou a aquisição de títulos no mercado secundário.
Apesar de, formalmente, possuir legitimidade para indicar apenas um administrador, o Grupo Carrinho conseguiu influenciar a escolha de dois membros da comissão executiva do BFA. Conforme antecipado pelo Valor Económico, concretizou-se a saída da administradora financeira Francisca Costa, dando lugar a João Gonçalo Lourenço de Jesus. O novo gestor transita directamente da assessoria do conselho de administração do BCI, instituição onde a Carrinho detém o controlo.
A par desta nomeação, o grupo conta com o reforço de Nelson Rodera Monteiro, que até à sua integração no BFA exercia funções de administrador executivo no Banco Keve, outra unidade bancária sob esfera de influência do conglomerado benguelense.
Para evitar o escrutínio sobre a excessiva concentração no sistema financeiro — uma vez que detém activos na banca, seguros e intermediação de valores — o grupo optou por uma estrutura de detenção indirecta. A participação de 9,85% no BFA é gerida através do veículo de investimento Congolian Financial, que integra:
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Fundo AXIOS (Fundo Especial de Investimento em Valores Mobiliários Fechado de Acções);
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Fundo ASSET (Fundo Especial de Investimento em Valores Mobiliários Fechado).
A Posição do BPI
Fontes próximas do processo revelam que a estratégia imediata passa pelo aumento da fatia accionista. A hipótese mais ambiciosa em cima da mesa é a aquisição de parte da posição do BPI, que actualmente detém 33,35% do capital. Um eventual desinvestimento do CaixaBank durante o presente exercício económico abriria caminho para que a Carrinho se tornasse um dos maiores accionistas de referência, desafiando a liderança da Unitel (36,9%).
Especialistas do mercado admitem que, embora a compra de acções dispersas no mercado secundário seja uma via viável, a negociação directa com o parceiro português seria “financeiramente mais atractiva” para consolidar o domínio estratégico sobre uma das instituições mais sólidas do mercado angolano.
Fonte: Valor Económico
