A petrolífera angolana Etu Energias regressou ao mercado de capitais com uma nova emissão de papel comercial no valor de 5 milhões de dólares norte-americanos. A operação, confirmada pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC), foi integralmente subscrita através de uma oferta particular dirigida a investidores institucionais, visando o reforço da tesouraria e a diversificação das fontes de financiamento da companhia liderada por Edson dos Santos.

A operação foi intermediada pela Inovadora Capital – Sociedade Distribuidora de Valores Mobiliários e representa a segunda incursão da petrolífera neste segmento específico. Em Julho de 2024, a empresa — anteriormente designada Somoil — já havia captado 15 milhões USD, ciclo que foi concluído com sucesso em Janeiro deste ano, após o reembolso e liquidação integral dos títulos junto dos investidores.

De acordo com os dados partilhados pelo regulador (CMC), a emissão enquadra-se nos artigos 18.º e 19.º do Regime Jurídico do Papel Comercial. Por se tratar de uma oferta particular para investidores institucionais, a operação dispensa a aprovação prévia da CMC, embora esteja sujeita ao rigoroso rácio de autonomia financeira, onde o montante emitido não pode exceder os capitais próprios da entidade.

O papel comercial serve, nestes moldes, como um instrumento de dívida de curto prazo (maturidade inferior a um ano), permitindo que a Etu Energias se financie directamente no mercado, contornando os canais bancários tradicionais e optimizando os seus custos financeiros.

O Caminho para a Bolsa de Valores

A estratégia da petrolífera para o mercado de capitais é ambiciosa e não se limita à dívida de curto prazo. No histórico recente da empresa destacam-se:

  • Emissões Obrigacionistas: Em 2024, a empresa concluiu a emissão “ETU – Obrigações 2024-2029”, captando 73 mil milhões de Kwanzas (aprox. 80 milhões USD).

  • Referência de Mercado: Com estes movimentos, a Etu Energias posiciona-se ao lado de grandes players como o Standard Bank Angola, a Griner Engenharia e a Sonangol no mercado de obrigações corporativas.

IPO no Horizonte (2025-2030)

O foco estratégico aponta agora para a dispersão de capital em bolsa. Durante a última edição do encontro “Café com os Media”, em Luanda, o Presidente da Comissão Executiva (PCA), Edson dos Santos, reiterou que a empresa trabalha na preparação das condições necessárias para uma Oferta Pública Inicial (IPO). A intenção é permitir a entrada de novos accionistas e aumentar a transparência e governação daquela que é uma das maiores operadoras privadas no sector mineiro e petrolífero de Angola.

Fonte: Jornal Expansão 

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