O CEO do Standard Bank de Angola (SBA), Luís Teles, defendeu recentemente, em Luanda, a adopção urgente de modelos de Parcerias Público-Privadas (PPP) como ferramenta estratégica para viabilizar projectos de elevado impacto económico e social. Durante um workshop dedicado ao tema, o gestor revelou que os activos do sistema bancário nacional ascendem a 28 mil milhões USD (cerca de 24% do PIB), sublinhando que a banca dispõe de liquidez e conhecimento técnico para apoiar o Executivo na redução da pressão sobre o Tesouro Nacional, garantindo a execução de infra-estruturas críticas para o País.

De acordo com os dados apresentados por Luís Teles, cerca de 80% dos activos bancários em Angola estão actualmente afectos ao financiamento do Estado e do sector privado. Num cenário de recursos públicos limitados, o CEO do SBA sustenta que o sucesso das PPP não deve ser medido apenas pela capacidade financeira, mas pela criação de valor real para a sociedade.

Para o responsável, é imperativo que Angola alinhe a capacidade de financiamento da banca nacional com a experiência de instituições multilaterais e do mercado de capitais. O objectivo é atrair investimento privado para infra-estruturas, dividindo custos e riscos com o Executivo, evitando o endividamento excessivo do Estado.

PPPs como Instrumento de Boa Governação

O Ministro do Planeamento, Victor Hugo Guilherme, presente no evento que reuniu instituições públicas e operadores do sector de infra-estruturas, reforçou a visão da banca. Segundo o governante, as PPP não representam apenas uma alternativa de financiamento, mas configuram-se como um “instrumento de boa governação económica”.

O Ministro destacou o compromisso do Executivo em criar mecanismos que mobilizem o capital privado, assegurando uma utilização mais eficiente e racional dos recursos públicos face às múltiplas prioridades do Orçamento Geral do Estado.

O potencial do mercado angolano para este modelo de negócio atraiu a atenção da diplomacia internacional. Roz Griffiths, vice-embaixadora do Reino Unido em Angola, manifestou o interesse britânico na carteira de projectos de PPP do País, fundamentado na trajectória de reformas económicas em curso e na melhoria do ambiente de negócios.

Fonte: Economia & Mercado

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