O Executivo confirmou que a Endiama e a Sonangol são as próximas empresas públicas estratégicas a integrar o cronograma de privatizações através de Oferta Pública de Acções (IPO) na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA). A medida, que surge no quadro da dinamização do mercado de capitais nacional, será executada de forma faseada, tendo como próximo grande marco a operação da Unitel, que se prevê ser a maior da história do país.

A estratégia de alienação de participações do Estado ganha agora um novo fôlego. Após a nacionalização de activos chave, o Governo foca-se na dispersão de capital em bolsa para atrair investimento estrangeiro e nacional. A privatização da Unitel é aguardada com expectativa, devendo superar os números do IPO do Banco de Fomento Angola (BFA) realizado no ano passado, que fixou o valor da instituição em cerca de 700 milhões de euros.

O amadurecimento da BODIVA tem sido sustentado pelo desempenho do sector bancário. É importante recordar que:

  • BAI: Em 2022, tornou-se a primeira grande empresa a abrir o capital, levantando 37,5 milhões de euros (10% do capital) e fixando a sua avaliação em 375 milhões de euros.

  • BFA: Consolidou a confiança dos investidores em 2023, estabelecendo um novo tecto para o mercado de capitais angolano.

Sonangol e Endiama: As Jóias da Coroa

A entrada da Endiama, braço estatal da exploração diamantífera, e da Sonangol, gigante do sector petrolífero, representa a fase mais ambiciosa do Programa de Privatizações (PROPRIV).

Para a Sonangol, a operação é vista por analistas como um passo decisivo para a modernização da gestão e transparência da petrolífera, sendo considerada uma das maiores ofertas do sector energético no continente africano. Já a Endiama surge como a porta de entrada para investidores que procuram capitalizar o potencial mineiro de Angola num ambiente regulado.

Mais do que a arrecadação de receitas, o Executivo apresenta estas operações como ferramentas fundamentais para a modernização das empresas públicas. “A presença de novas empresas nos mercados públicos de capitais é um factor de desenvolvimento e de afirmação de Angola como um centro financeiro regional”, aponta a estratégia governamental.

A abertura do capital permite que novos accionistas privados participem não apenas nos lucros, mas também na fiscalização e na eficiência da gestão de activos que são vitais para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Fonte: Líder Magazine

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