Uma cidadã nacional de 43 anos, identificada por Leonice — vulgarmente conhecida por “Nice” —, foi detida nesta terça-feira, em Luanda, pela Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP). A suspeita é indiciada por envolvimento num caso de alegada negligência médica, após uma paciente de 37 anos ter ficado em estado crítico devido a um procedimento de hidrolipo realizado no passado dia 1 de Julho.
Segundo o porta-voz da DIIP, Intendente Quintino Ferreira, a detenção ocorreu no momento em que a suspeita preparava a sua saída de Angola. “Encontrámos muitas dificuldades para localizá-la. Ela chegou a planificar a fuga para o exterior, tendo inclusive efectuado o check-in online”, revelou o oficial. Graças ao trabalho de inteligência criminal, as autoridades conseguiram interceptar e deter a cidadã antes do embarque.
A investigação foi desencadeada por uma participação criminal apresentada pelos familiares da vítima, que sofreu uma paragem cardiorrespiratória durante a intervenção estética.
Estado de saúde da vítima é considerado “muito crítico”
A paciente, que regressou recentemente ao país, encontra-se internada na Clínica General Katondo. Segundo relatos da família, o quadro clínico é grave: a mulher desenvolveu um edema cerebral por falta de oxigenação, pneumonia, e apresenta o funcionamento dos rins e do fígado seriamente comprometido.
Cidalina da Silva, irmã da vítima, relatou ao portal Na Mira do Crime que a família nunca teve acesso aos resultados dos exames preliminares que teriam sido realizados na clínica de “Nice”. “No dia do procedimento, a minha irmã ligou-me apenas para dizer que já estava na clínica. Horas depois, recebemos a informação da paragem cardíaca. Até hoje ninguém nos explicou exactamente o que aconteceu”, lamentou.
O Intendente Quintino Ferreira esclareceu que o processo segue agora para o Ministério Público. Paralelamente, as autoridades competentes de fiscalização de saúde vão determinar se o estabelecimento possuía licenciamento e se a proprietária tinha qualificações técnicas para realizar tais procedimentos.
“A legalização das instituições depende de outros órgãos e todos os documentos recolhidos serão analisados para determinar se o espaço reunia ou não os requisitos legais para funcionar”, afirmou o porta-voz.
A DIIP apelou publicamente a outros cidadãos que possam ter sido lesados na mesma unidade de estética para que apresentem queixa formal junto das autoridades.
Fonte: Na Mira do Crime
