Angola posicionou-se entre as nações africanas que registaram os maiores avanços no combate à corrupção ao longo da última década (2016-2025). A conclusão consta nos dados preliminares do Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG) 2026, divulgados esta terça-feira, 14 de Julho, pela Fundação Mo Ibrahim. O relatório sublinha uma inversão na tendência de declínio do continente, com o país a destacar-se pela implementação de mecanismos de prevenção mais robustos.
Após anos de estagnação e retrocessos pontuais, a governação em África dá sinais de revitalização. De acordo com o documento da Fundação Mo Ibrahim, a pontuação média do continente no indicador de combate à corrupção subiu de 38,6 para 39,1 pontos. Embora o incremento seja de apenas meio ponto percentual, os peritos da organização consideram-no um marco de “mudança de tendência” após o ciclo negativo verificado entre 2016 e 2020.
O Desempenho de Angola e Pares Continentais
No grupo dos países com maior evolução positiva figuram as Ilhas Seychelles, Angola, Tchad, Somália e Togo. No contexto nacional, a melhoria é atribuída ao reforço institucional e à eficácia crescente das medidas de fiscalização pública.
O relatório destaca, por outro lado, casos distintos:
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Somália: Apesar de manter uma classificação baixa, apresentou uma das evoluções mais aceleradas, provando que Estados em reconstrução podem registar ganhos de governação.
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Botswana e África do Sul: Em sentido inverso, estas potências regionais perderam terreno, com o Botswana a registar uma deterioração dos seus indicadores, embora ainda se mantenha no “top 10” do ranking geral.
Liderança Regional da SADC
No plano das comunidades económicas regionais, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), da qual Angola é Estado-membro, lidera o ranking de combate à corrupção com uma média de 44,5 pontos em 2025. Este desempenho coloca o bloco à frente de outras regiões, como a IGAD (África Oriental), que obteve a pontuação mais baixa (26,9 pontos). A União do Magrebe Árabe (UMA) foi identificada como o bloco com o crescimento mais homogéneo.
A Fundação Mo Ibrahim alerta, contudo, que apesar dos avanços estatísticos, a percepção de confiança dos cidadãos nas instituições governamentais ainda não acompanha o ritmo das reformas, permanecendo em níveis reduzidos na maioria dos países analisados.
Fonte: Jornal de Angola
