Dois anos após ter alienado os seus activos na produção petrolífera em Angola, a Galp Energia está a negociar o seu regresso ao “upstream” (exploração e produção) no país. A revelação foi feita nesta quarta-feira, em Luanda, pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Sonangol, Sebastião Gaspar Martins, durante a conferência Doing Business Angola, organizada pelo Jornal Económico e pela Forbes África Lusófona. Segundo o gestor, a petrolífera portuguesa já enviou uma delegação oficial para manifestar a intenção de investir em parceria com a estatal angolana.

A saída da Galp do sector da produção ocorreu em 2024, quando vendeu a sua carteira de activos à angolana Etu Energias por 830 milhões de dólares. Contudo, o cenário de estabilidade contratual e as novas oportunidades de licitação — que prevêem investimentos superiores a 70 mil milhões de dólares até ao final da década — atraíram novamente a companhia lusa.

“Recentemente recebemos uma delegação da Galp que, depois de ter saído, quer voltar e investir connosco nas áreas de exploração e produção”, afirmou Sebastião Gaspar Martins. O PCA referiu-se à Galp como uma “empresa irmã”, destacando a resiliência da parceria que se mantém activa através da rede de distribuição Sonangalp.

Activos em Portugal: Valorização no BCP e na Galp

Sobre a presença da Sonangol no mercado financeiro português, o líder da petrolífera estatal garantiu que a estratégia é de continuidade e não de desinvestimento. Com participações indirectas de 17% na Galp e quase 20% no Millennium BCP, o gestor sublinhou a pertinência da paciência estratégica.

“Se tivéssemos sido precipitados quando as acções caíram, não estaríamos a ver o bom momento actual, com o título acima de um euro por acção”, explicou, referindo-se ao BCP. “Não vamos sair desta oportunidade”, assegurou.

Numa vertente virada para a diversificação e conteúdo local, a Sonangol anunciou uma parceria com a construtora Mota-Engil para reabilitar e dinamizar um estaleiro naval na província do Kwanza-Sul. O projecto visa reduzir a dependência de serviços externos, como os que actualmente são realizados na Coreia do Sul.

“Queremos reavivar um estaleiro para apoio e manutenção da indústria petrolífera. Vamos investir com a possibilidade de levarmos para este estaleiro a construção de componentes de navios em Angola”, detalhou o PCA. Actualmente, a frota da Sonangol conta com dez navios Suez Max, estando dois deles sob renovação em estaleiros sul-coreanos.

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