Angola gastou cerca de 1,3 mil milhões de dólares na importação de combustíveis líquidos durante o segundo trimestre de 2026. O balanço, apresentado nesta quarta-feira, em Luanda, pelo Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP), revela que a dependência do mercado externo fixou-se em 90%, impulsionada pela paragem programada da Refinaria de Luanda e pela instabilidade dos preços no mercado internacional.
O mercado nacional de combustíveis continua a ser maioritariamente abastecido por produtos vindos do exterior. De acordo com o director-geral do IRDP, Luís Fernandes, as empresas do sector importaram um total de 1.083.082 toneladas métricas de derivados de petróleo entre Abril e Junho, o que representa um crescimento de 6% em comparação com o primeiro trimestre do ano.
Gasóleo lidera as aquisições
No topo das importações figura o gasóleo, que representou 49,5% do volume total adquirido. A gasolina ocupa o segundo lugar com 33,6%, seguida pelo Marine Gas Oil (MGO) com 8,5% e o Jet A1 (combustível para aviação) com 4,8%. O remanescente da factura dividiu-se entre fuel oil (2,3%), asfalto (0,7%) e petróleo iluminante (0,5%).
Um dos factores críticos para o aumento da factura externa foi a redução da performance da Refinaria de Luanda. A unidade fabril garantiu apenas 9% da oferta total de combustíveis no período em análise, devido a uma paragem programada para trabalhos de manutenção técnica. A unidade Cabgoc Topping, em Cabinda, contribuiu com 1% da oferta nacional.
O director-geral do IRDP, Luís Fernandes, esclareceu que o elevado montante gasto — 1,3 mil milhões de dólares — não se deve apenas ao volume importado, mas também ao cenário geopolítico global. O agravamento dos preços internacionais dos derivados do petróleo, influenciado directamente pelo conflito no Médio Oriente, encareceu significativamente os custos de aquisição para o Estado angolano.
Fonte: Economia & Finanças
