A Rússia prepara o reforço da sua presença diplomática e cultural em Angola com a reactivação da “Casa da Rússia” em Luanda, prevista para o final do corrente ano. A medida, que surge num contexto de revitalização das relações bilaterais, é acompanhada pela nomeação de Alexander Bryantsev como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário, preenchendo uma vacatura de um ano na chefia da missão russa na capital angolana.
O regresso da diplomacia cultural
A “Russian House” (Casa da Rússia), estrutura sob tutela da Agência Federal da Cooperação da Rússia e do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Moscovo, voltará a ser uma realidade no cenário cultural de Luanda. Com um historial que remonta às décadas de 1970 e 1980, estas instituições foram fundamentais na difusão da língua russa e na gestão de bolsas de estudo, tendo sido desactivadas nos anos 90 durante a transição política da Perestroika.
Segundo fontes próximas do Ministério das Relações Exteriores (MIREX), citadas pelo Novo Jornal, os trabalhos preliminares para a instalação do centro já foram concluídos. Está prevista para o próximo mês de Agosto a chegada de uma responsável russa a Luanda para coordenar os preparativos finais da inauguração.
A reactivação deste centro não é um acto isolado, mas parte de uma estratégia de diplomacia pública que remonta a 1925. Em declarações oficiais, fontes diplomáticas comparam a iniciativa a instituições como o Instituto Camões (Portugal) ou o Goethe Institut (Alemanha).
“A base da diplomacia pública está na aproximação entre as pessoas e no aprofundamento do diálogo intercultural e educacional”, afirmou uma fonte do MIREX, sublinhando que a Rússia procura expandir a sua rede que já conta com representações na Zâmbia, Namíbia e Congo-Brazzaville.
Novo fôlego nas relações bilaterais
Após um interregno de um ano sem um embaixador titular — desde a saída de Vladimir Tararov para Maputo em Agosto de 2024 — o Presidente Vladimir Putin promoveu Alexander Evgenievich Bryantsev ao cargo. Bryantsev, que já servia como encarregado de negócios em Luanda, assume agora a plenitude das funções diplomáticas para Angola e São Tomé e Príncipe.
A oficialização do novo embaixador e a reabertura do centro cultural sinalizam o interesse de Moscovo em solidificar laços com os seus “parceiros tradicionais” em África, focando-se em áreas como educação, formação técnica e cooperação humanitária.
Fonte: Novo Jornal
