O Estado transferiu, em 2025, cerca de 321 mil milhões de kwanzas para as empresas do Sector Empresarial Público, entre capitalizações e subsídios operacionais. A informação foi avançada pela ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, durante a abertura do Encontro sobre o Sector Empresarial Público, realizado em Luanda.

A titular da pasta sublinhou que o principal desafio já não reside apenas no volume de recursos investidos, mas na capacidade destas empresas gerarem valor real para a economia e para os cidadãos. Em causa está a sustentabilidade das finanças públicas e a melhoria dos serviços prestados às famílias angolanas, que dependem diariamente de empresas estatais em sectores como energia, transportes, água e comunicação.

O encontro decorreu sob o tema “O Sector Empresarial Público como alavanca do desenvolvimento e da sustentabilidade das finanças públicas”, reunindo gestores, decisores e especialistas.

O desafio de gerar valor

“O verdadeiro desafio não está apenas nos recursos que o Estado investe, mas no valor que esse investimento gera para a economia e para os cidadãos”, afirmou Vera Daves de Sousa.

Segundo a ministra, o esforço financeiro deve traduzir-se, de forma progressiva, em empresas mais produtivas, financeiramente sólidas, operacionalmente eficientes, transparentes na governação e capazes de criar emprego, reforçar a competitividade e prestar melhores serviços. A reforma do sector é vista como uma opção estratégica de política económica, orientada para colocar os activos do Estado ao serviço da criação de riqueza e da melhoria das condições de vida dos angolanos.

A injecção de 321 mil milhões de kwanzas representa um esforço significativo do Orçamento Geral do Estado num ano em que as pressões sobre o kwanza e as necessidades sociais continuam elevadas.

Posição do IGAPE

O Presidente do Conselho de Administração do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), Álvaro Fernão, reforçou que o sucesso de uma empresa pública já não se mede apenas pela continuidade da sua actividade. O critério passa a ser a capacidade de prestar melhores serviços aos cidadãos, gerar retorno económico, preservar o património público e reduzir a pressão sobre os recursos do OGE.

Fernão destacou que as reformas em curso têm elevado os padrões de governação corporativa, reforçado a transparência e promovido a responsabilização dos gestores. O encontro pretende servir de plataforma para partilha de experiências e identificação de boas práticas, com vista a consolidar empresas públicas mais resilientes e alinhadas com as prioridades de desenvolvimento nacional.

O responsável expressou confiança de que as reflexões produzidas contribuirão para uma cultura de gestão assente na eficiência e na criação de valor para o Estado e para os cidadãos.

Fonte: Forbes África Lusófona 

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