O STMA reclama aumentos salariais graduais até 400%, sustentando que os técnicos não beneficiam de ajustamentos nos vencimentos há mais de uma década. A TAAG, por sua vez, alega ter aplicado aumentos até 125% e diz não ter, nesta fase, margem para ir além de 15%.
A extensão do período negocial foi formalizada por Clóvis Rosa, pela Comissão de Negociação da TAAG, e Joaquim Filipe Martins, em representação do STMA.
Além da componente salarial, os técnicos apontam dificuldades operacionais no Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto (AIAAN), sobretudo a ausência de hangares. Segundo um funcionário citado no material disponibilizado, os trabalhadores têm recorrido a contentores adaptados ou trabalham ao sol, enquanto a manutenção das aeronaves continuaria a ser feita no Aeroporto 4 de Fevereiro.
Uma fonte ligada ao Ministério dos Transportes referiu que o projecto inicial do AIAAN previa dois hangares com capacidade apenas para aeronaves Boeing 737 e que a TAAG reviu o projecto depois de o Ministério dos Transportes assumir a responsabilidade pelo aeroporto.
O presidente da Comissão Executiva da TAAG, Miguel Carneiro, terá anunciado a intenção de construir dois hangares — um de maior dimensão e outro mais pequeno —, apontando Dezembro como previsão para a entrega do primeiro. «Os hangares são para ontem», afirmou, segundo o material fornecido.
A criação de uma Secção de Rodas e Travões no AIAAN figura igualmente entre as exigências do STMA. A estrutura permitiria inspeccionar, reparar e substituir rodas, pneus e sistemas de travagem das aeronaves. Miguel Carneiro associou a falta desta e de outras infra-estruturas de apoio ao atraso do primeiro voo para Ghangzhou, na China.
No encontro com trabalhadores da manutenção, o gestor abordou também a necessidade de expansão da operação da transportadora. Segundo as declarações que lhe são atribuídas, a TAAG transportou 1,3 milhões de passageiros em 2025 e voa para 10 destinos em África. Carneiro comparou estes indicadores aos da Airlink e da ASKY, defendendo que a empresa deve aumentar as rotas e a utilização da frota.
Sem uma solução no diferendo laboral, a paralisação anunciada pelos técnicos poderá afectar os serviços de manutenção da companhia aérea nacional.

